A poluição plástica já é vista pela ONU como a segunda maior ameaça ambiental do planeta. O material, quando descartado de forma incorreta, contamina rios, mares e solo, além de contribuir para as emissões de gases que agravam as mudanças climáticas. Mesmo assim, sua produção segue em alta: mais de 400 milhões de toneladas são geradas por ano no mundo, e apenas cerca de 9% são recicladas.
No Brasil, o problema também é urgente. Cerca de 22% do plástico é reciclado, mas a falta de infraestrutura e os altos custos limitam o avanço. De acordo com a WWF-Brasil, o país envia 1,3 milhão de toneladas desse resíduo aos oceanos todos os anos, enquanto milhões de toneladas vão parar em aterros sanitários.
A COP30, que será realizada em Belém, colocará a economia circular no centro das discussões climáticas. O governo brasileiro quer apresentar o país como um polo de inovação em sustentabilidade. Às vésperas da conferência, o poder público e o setor privado têm anunciado medidas para enfrentar o problema.
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Em outubro de 2025, o governo federal publicou um decreto que, pela primeira vez, define metas nacionais de reciclagem: 32% até 2026 e 50% até 2040. Para o uso de plástico pós consumo, a meta de implementação em novas embalagens deve chegar a 22% já em 2026 e 40% em 2040.
Entre as empresas que já se movimentam, a Unilever se destaca. Presente em todos os lares brasileiros com marcas como OMO, Dove e Rexona, a companhia superou sua meta global de circularidade. Desde 2024, a operação brasileira proporciona a coleta e processamento ao equivalente a 115% de embalagens plásticas que coloca no mercado, isto é, para cada embalagem que vende, mais de uma retorna para a indústria.
“Investimos para ter cada vez mais embalagens recicláveis e em parcerias com cooperativas, ongs e recicladoras estimulamos remuneração justa de catadores e a ampliação da reciclagem de plástico, para que resíduos domésticos ganhem vida nova, seja em frascos da Unilever ou em diversos usos na indústria”, afirma Juliana Marra, diretora de Assuntos Corporativos, Sustentabilidade e Comunicação da Unilever Brasil.

A executiva reforça que o avanço depende também dos consumidores. “Quando o consumidor separa e descarta corretamente, ele dá o primeiro passo para que esse ciclo gire. É uma responsabilidade compartilhada”, afirma.
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Hoje, frascos do ketchup Hellmann’s e de shampoos Seda são feitos 100% com plástico de origem reciclada. 37% do plástico utilizados nas embalagens da Unilever é reciclado, muito próximo a meta do governo brasileiro para 2040.
Entre 2021 e 2024, essa estratégia evitou o uso de mais de 57 mil toneladas de plástico novo e reduziu cerca de 100 mil toneladas de emissões de gases poluentes.
Com novas regras do setor público e iniciativas privadas em andamento, o Brasil se prepara para dar um salto na economia circular. O desafio, porém, só será superado com a participação de toda a sociedade, desde as grandes indústrias até o hábito diário de cada cidadão ao descartar seu lixo corretamente.
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