Belém também pode ser aprendida fora da sala de aula. Nesta terça-feira (1º), estudantes do ensino médio da Escola Maria Luiza da Costa Rego, localizada no bairro do Bengui, participaram de uma ação educacional do Projeto Nosso Patrimônio, em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), que utilizou maquetes, história e arquitetura para aproximar os jovens da memória e do patrimônio cultural da capital paraense. A atividade foi realizada no Fórum Landi, na Rua Siqueira Mendes, em frente à Igreja do Carmo, no Centro Histórico de Belém.
A programação começou com uma apresentação conduzida por Roberta Rodrigues, coordenadora do Fórum Landi UFPA e da ação educacional. A partir das maquetes e de uma conversa sobre a formação da cidade, os estudantes foram convidados a observar Belém para além dos prédios antigos, entendendo como ruas, praças, paisagens e manifestações culturais também fazem parte daquilo que se chama patrimônio.

Depois da parte expositiva, os alunos colocaram a mão na massa e montaram suas próprias maquetes inspiradas em edificações históricas de Belém. A atividade, apesar do caráter lúdico, foi pensada como uma ferramenta de aprendizagem e também como uma forma de criar uma relação afetiva dos estudantes com a cidade.


Patrimônio para além dos prédios antigos
Para Roberta Rodrigues, levar os alunos ao Centro Histórico é uma oportunidade de fazer com que eles conheçam e se apropriem de espaços que fazem parte da história da cidade.
“A proposta é proporcionar uma vivência para eles. O fato de vir e estar aqui no Centro Histórico também é importante, no sentido de eles conhecerem e se apropriarem desses espaços”, explicou.

Segundo a coordenadora, a atividade foi pensada levando em consideração que os participantes são estudantes do ensino médio, o que permite trabalhar conceitos mais complexos sobre história, arquitetura e patrimônio.
Durante a mediação, os alunos conheceram aspectos relacionados ao processo de consolidação de Belém e refletiram sobre o significado de um centro histórico. A ideia, conforme Roberta, é mostrar que patrimônio não se resume a construções antigas.
“Não significa simplesmente um monte de prédio antigo, mas uma junção de diferentes importâncias: da nossa história, da reprodução da cultura, das edificações. É o conjunto todo. São as praças, as ruas, as mangueiras e essa paisagem toda”, destacou.

A proposta também busca estimular uma reflexão sobre preservação. Para Roberta, preservar não significa impedir que a cidade se transforme, mas compreender a importância de manter referências que ajudam a contar a história de Belém.
Maquete como ferramenta de memória
A montagem das maquetes foi um dos momentos que mais chamou a atenção dos estudantes. A atividade exigiu concentração e habilidades manuais, mas também funcionou como uma maneira de transformar o conteúdo aprendido em uma experiência concreta.
Roberta explica que a intenção é que os estudantes levem a maquete para casa e, com ela, também levem uma conversa sobre o patrimônio para dentro de suas famílias.
“Uma maquetinha de papel pode virar um mote para você conversar, falar sobre patrimônio, para você ter essa lembrança, essa memória. No caso das crianças e dos jovens, isso marca muito”, afirmou.

A experiência também permite trabalhar diferentes áreas do conhecimento simultaneamente.
“Eu falei de história, de arqueologia, de geografia, de tanta coisa ao mesmo tempo que, se a gente pensar pela perspectiva apenas da educação, é um momento em que você exige um repertório de diferentes conhecimentos. Então isso, por si só, já é interessante pedagogicamente”, avaliou.
Projeto aproxima escola pública do Centro Histórico
Coordenador geral do projeto, professor universitário, artista visual e arquiteto responsável pelas maquetes, Armando Sobral considera a iniciativa uma importante ação de educação patrimonial na região Norte.
Segundo ele, o Projeto Nosso Patrimônio vem construindo, ao longo dos anos, ações voltadas à divulgação da história e da memória de Belém. A expectativa é que, em 2027, o projeto complete 15 anos de atuação continuada.
“Eu acredito que seja uma das ações mais relevantes e significativas de educação patrimonial aqui na região Norte”, afirmou.

Para Armando, levar o projeto às escolas é uma forma de fortalecer a relação dos jovens com a história da cidade.
“A ação chega aos jovens, chega às escolas, fortalecendo esses vínculos afetivos desses estudantes, dessas crianças, com a sua memória e com a história da cidade. É fazer com que eles se compreendam pertencentes a esse processo histórico que diz respeito aos seus antepassados”, explicou.
O professor também chama atenção para a importância de alcançar estudantes que vivem em áreas mais afastadas do Centro Histórico.
Preservar começa pela educação
Na avaliação de Armando, a educação é um dos caminhos fundamentais para garantir que a população compreenda a importância de preservar o patrimônio.
“A preservação passa, antes de tudo, pela educação. Não adianta a gente ter instrumentos punitivos e fiscalizatórios se a sociedade não compreende e não se entende como sendo parte dessa história”, afirmou.

Para ele, aproximar estudantes de diferentes regiões de Belém dos espaços históricos ajuda a construir uma percepção mais ampla sobre a cidade e sobre o próprio papel de cada cidadão na preservação da memória coletiva.
Conhecimento que desperta curiosidade
Entre os estudantes que participaram da atividade estava Matheus da Silva Tavares, de 15 anos, aluno do 1º ano do ensino médio. Para ele, a experiência trouxe uma oportunidade diferente de aprender sobre Belém ao lado dos colegas.
“Aprendi muita coisa sobre história e também essa maquete junto com os amigos. É uma experiência muito boa”, contou.

Matheus também considera importante que os estudantes tenham contato com a história da cidade. “É muito importante saber uma coisa dessas”, afirmou.
Universidade pública e sociedade
A realização da atividade no Fórum Landi também reforça o papel da UFPA como parceira do projeto e como instituição que aproxima conhecimento acadêmico da comunidade.
Roberta destaca que o espaço reúne pesquisa, ensino e extensão universitária, permitindo que o conhecimento produzido dentro da universidade circule para além dos muros acadêmicos.
“Extensão não é a gente levar um conhecimento para quem não sabe nada. Pelo contrário, é fazer a troca, é se alimentar também dessa troca”, explicou.

Para ela, essa relação com estudantes da rede pública representa justamente uma das funções da universidade pública: abrir as portas, compartilhar conhecimento e, ao mesmo tempo, aprender com as experiências trazidas pelos participantes.
“Esse espaço é muito a essência do que é a universidade pública, porque a gente alia tudo isso ao mesmo tempo. Estar aqui no Centro Histórico, com a porta aberta para todo mundo, e ter esse tipo de projeto e iniciativa só fortalece o que é a nossa missão”, concluiu.
Educação patrimonial continua em setembro
A ação educacional do Projeto Nosso Patrimônio é voltada para crianças e adolescentes da rede pública de ensino estadual e federal. A programação inclui atividades educativas no Fórum Landi, contato com maquetes de monumentos históricos e conteúdos relacionados à história, arquitetura, cultura e preservação de Belém.
As atividades acontecem nos dias 1º, 2, 3 e 4 de setembro e, na semana seguinte, nos dias 8 e 9 de setembro, sempre das 8h30 às 11h30, no Fórum Landi, no Centro Histórico de Belém.
A programação será encerrada no dia 9 de setembro e inclui atividades educativas, contato com as maquetes de monumentos históricos e momentos de interação com os estudantes. A proposta é transformar a visita em uma experiência de educação patrimonial, estimulando o conhecimento e o sentimento de pertencimento à cidade.

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