A mobilização é grande pelos concursos da Polícia Federal. Serão 1.200 vagas apenas em 2012, um recorde de ofertas na história recente do órgão. Além do concurso para agente e papiloscopista que já está em andamento, a Polícia Federal liberará ainda neste semestre, possivelmente até o fim do mês de maio, os editais para delegado (150), escrivão (350) e perito (100).
Para o especialista em concursos públicos Orlando Stiebler, o alto número de ofertas para ingresso na Polícia Federal em 2012 é sintomático da proximidade de eventos como a Copa do Mundo e Olimpíadas. “É lógico que o Estado necessita de novos agentes para as fronteiras tão vastas e vulneráveis”, argumenta Stiebler quando indagado a respeito da necessidade de reforçar o efetivo da Polícia Federal nas fronteiras brasileiras. Ele se mostrou favorável ao pleito da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) à concessão de um “adicional de fronteira” para policiais que atuem em regiões mais distantes (mais detalhes no boxe). “O adicional deve ser ofertado e deve conter, além de atrativos salariais, mecanismos de promoção e principalmente de produção”.
Para Stiebler, a resistência ao projeto parte da bancada do governo no congresso que entende que tal medida não caberia no orçamento.
O especialista intui que novos concursos para ingresso na Polícia Federal deverão acontecer nos próximos anos e, de fato, como explicou o presidente da Fenapef, Marcos Wink, ao JC&E na última semana, o tema é tratado como prioridade nas negociações entre o órgão e o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG).
Preparação
O certo, porém, são as futuras seleções para delegado, perito e escrivão. Inicialmente previstos para abril, os editais devem mesmo ser publicados em maio, de acordo com a assessoria de comunicação do órgão. Stiebler destaca como ponto positivo do vindouro concurso, o fato da Polícia Federal não promover profundas alterações nos editais de um concurso para o outro. “A prática de exercícios simulados e provas anteriores se mostra uma estratégia vencedora”, argumenta o especialista.
O professor Sérgio Gurgel, do curso preparatório Canal dos Concursos, porém, lembra que o próximo edital para delegado é fruto de muitas especulações. “Entre tantas coisas já ditas, talvez a mais forte seja a de que a exigência de conhecimentos em informática não venha a constar do próximo edital, mas não há certeza alguma quanto a isso”.
Para o docente, é importante tomar os editais para as demais carreiras publicados em março como referência. “Incluiu diversos pontos ausentes no concurso anterior. Portanto, é o que acreditamos que possa ocorrer para a carreira de delegado”. Ele lembra, para aqueles habituados a disputar cargos de delegado da Polícia Civil, que a preparação é sutilmente diferente. “Para Polícia Civil, os programas apresentam um conteúdo essencialmente jurídico, enquanto que para delegado da Polícia Federal, outras matérias são normalmente exigidas como raciocínio lógico e atualidades”.
O professor ressalta ainda que “mesmo em relação aos aspectos jurídicos, nem todas as áreas são comuns entre os dois concursos; como o caso do direito tributário e direito previdenciário, clássicos das provas da Polícia Federal”. Ele recomenda, ainda, atenção à letra fria da lei, “pois o erro mais comum dos candidatos está em mergulhar no estudo da doutrina e da jurisprudência sem o conhecimento afiado da legislação”.
Almir Morgado, o professor consultado pelo JC&E para opinar a respeito do conteúdo para escrivão, argumentou que o Cespe/UnB – favorito para organizar o concurso – é conhecido por exigir do candidato um bom raciocínio lógico e capacidade de correlação. Ele destacou o direito penal, processual penal, língua portuguesa e raciocínio lógico como principais focos de estudo para aqueles que pretendem se candidatar ao cargo que tem como remuneração inicial o valor de R$ 7.514,33. Podem concorrer ao posto, graduados em qualquer área.
Aprovados para a função de delegado, cuja exigência é o bacharelado em direito, receberão inicialmente R$ 13.368,68 mensais.
Já o cargo de perito, que apresenta o mesmo vencimento de delegado, permite a candidatura de graduados em diversas áreas a serem especificadas no edital de abertura.
Negociações com Planejamento continuam
A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) se reuniu com o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) para debater uma pauta de reformas estruturais para a carreira de policial federal. Entre os principais temas constaram a implementação do adicional de fronteira para aqueles que atuam em regiões longínquas, reestruturação salarial e aumento do efetivo. “Não houve avanços concretos”, informou o presidente da Fenapef, Marcos Wink. Foi fixada, porém, uma data limite para o fim das negociações, dia 31 de julho. A Fenepef tem a expectativa de que mais do que promessas possam resultar dessa rodada de negociações com o governo federal.
(Jornal dos Concursos & Comercial Empregos)
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