Passados 19 dias da prisão de nove pessoas acusadas de integrar um esquema para fraudar o concurso público para a Guarda Municipal de Belém (GMB), ninguém permanece preso. A polícia civil abriu três inquéritos para apurar o caso e apenas um já foi concluído e remetido à Justiça do Estado. Os demais prosseguem nas investigações e devem ser concluídos até o início de março. Os nove indiciados respondem em liberdade pelas acusações.
O Centro de Extensão, Treinamento e Aperfeiçoamento Profissional (Cetap), entidade organizadora do concurso, descartou a fraude e segue com o cronograma do concurso, com a segunda fase de 27 a 29 de abril. Será o teste de aptidão física, de caráter eliminatório, aplicado somente aos candidatos aprovados e classificados na 1ª etapa, que terão seus nomes divulgados no Diário Oficial do Município.
O delegado Rogério Moraes, titular da Delegacia de Ordem Administrativa (DOA), ligada à Divisão de Investigações e Operações Especiais (Dioe) e responsável pelas investigações do caso, revelou que o inquérito já enviado à Justiça é o que trata do envolvimento de Johnny de Oliveira Chermont e do guarda municipal David Chaves dos Santos. As investigações revelaram que Johnny pagaria R$ 10 mil para que David fizesse a prova em seu lugar. David usou uma carteira de identidade com sua própria foto, mas com o nome de Johnny.
Johnny e David responderão pelos crimes de fraude em concurso público, uso de documento falso, falsificação de documento público, falsidade ideológica e formação de quadrilha. Além de Johnny, o esquema beneficiaria outras pessoas, pois o objetivo era divulgar para outros o resultado da prova feita por David. Ele repassaria o gabarito ao policial militar Marcos Anderson Araújo Ferreira e ao guarda municipal de Ananindeua Ronald Figueiredo Bittencourt.
Ronald e Marcos estavam incumbidos de enviar as respostas por meio de mensagem de celular para o guarda municipal de Ananindeua, Adriano Moraes Bittencourt e Giuliane da Cruz Filgueira. Todos estão indiciados, mas pagaram fiança e estão em liberdade.
Outro inquérito investiga a participação do agente do Detran, Alcir Ferreira Castro, sua esposa Regiane e um sobrinho identificado como Alcir. O delegado Rogério Moraes preferiu não dar maiores detalhes de como estão as investigações, mas garantiu que até o início de maio o inquérito estará concluído.
É a mesma situação do terceiro inquérito, que envolve o candidato Elias Rosa. Ele foi denunciado por demais candidatos por ter preenchido o cartão-resposta antes mesmo de responder o caderno de provas. Os candidatos achavam que Elias estava recebendo o gabarito da prova por meio de um fone de ouvido. O fone realmente foi encontrado, mas a fraude não foi comprovada. (Diário do Pará)
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