O Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/UnB) pretende implantar, a partir do segundo semestre deste ano, sistema informatizado para avaliar os inscritos em concursos públicos. Confira as considerações feitas por especialistas:
"CAT é colocado como sistema de análise de aptidões e não como sistema hábil a avaliar o grau de conhecimento de um candidato em relação ao outro, o que ainda denota ser uma falha do sistema que o CESPE pretende adotar. O resultado de proficiência elimina por completo a transparência do exame. É um verdadeiro absurdo!
Outra questão é que, ao viabilizar que provas para um mesmo grupo de candidatos possam ser aplicadas em momentos distintos, permitimos que candidatos estudem mais, que tenham mais tempo de se prepararem, quebrando a isonomia perseguida. A lisura do processo não é questionada entre candidatos, mas sim da banca examinadora em relação ao benefício de uns em detrimento de outros, seja qual for a banca. Haverá tempo para desenvolvimento de uma tecnologia mais robusta, apta a transmitir segurança aos candidatos já no estimado semestre que vem? Não seria melhor começar o processo e os testes em certames menores e mais concentrados?
Quanto ao valor da inscrição, há algum tempo não vejo, mesmo para os cargos de nível médio, a média de R$ 30. Bem mais caras, poderiam sim ter seus valores reduzidos com o fim da necessidade de impressão das provas. Não seria mais razoável pensar deste modo? Se é um benefício, deve trazer vantagens para todos os envolvidos.
O sistema também prevê redução no tempo para realizar as provas. Sempre que um novo edital é publicado, os especialistas preocupam-se em analisar o tempo médio para realização de cada uma das questões, considerando ainda o tempo que será gasto para transcrição do edital. Mantendo-se essa média, e acrescido o tempo médio para marcar a questão no sistema, não entendo que o candidato deva se preocupar. Estamos falando de uma redução que não pode superar meia hora para as provas de aproximadamente 100 questões.
No entanto, comparar concurso público com Enem não dá amparo para a quebra abrupta de paradigmas que está sendo proposta. São análises diferentes e que não tem embasamento, mas concordo quando o especialista diz que a prova não é restritiva. A informática é uma realidade dos nossos tempos.
(Leonardo Pereira, diretor do Instituto IOB/ Jornal dos Concursos & Comercial Empregos)
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