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Paulo Estrella: não vê problema na prova por etapa

O Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/UnB) pretende implantar, a partir do segundo semestre deste ano, sistema informatizado para avaliar os inscritos em concursos públicos. Confira as considerações feitas

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O Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/UnB) pretende implantar, a partir do segundo semestre deste ano, sistema informatizado para avaliar os inscritos em concursos públicos. Confira as considerações feitas por especialistas:

"Não vejo problema nenhum da prova ser feita aos poucos. Em um concurso com um milhão de candidatos, você não precisa ter um milhão de computadores conectados. A ideia é fazer essa prova ao longo de um tempo, supondo que o sistema vai medir e avaliar bem o candidato.

O problema é pensar em um concurso público sem possibilidade de recursos porque as questões foram exaustivamente testadas. O exaustivamente testado me preocupa, porque quem é que diz que foi testado? Quem vai validar essas questões? Quem é que vai ter o poder divino de dizer se essas questões funcionam ou não?

Hoje, quem faz isso, quem reclama pelos direitos é o candidato, que é o maior interessado. E a banca vai filtrar o que é pertinente e o que não é pertinente para resolver. Fazendo isso, a banca perde um monte de problemas: a prova e o processo seletivo ficam, para o candidato, muito mais obscuros, porque ele faz uma prova e não sabe se acertou ou se errou a questão, não cresce na prova, não aprende mais com os erros, quer dizer, ele não pode questionar o resultado, não pode questionar a interpretação do resultado e nem sabe qual é a interpretação que foi dada, então o candidato perde transparência, a prova perde transparência e fica sujeita a manobra interna. E não divulgando o gabarito, a banca pode utilizar a mesma questão 20 vezes, e em cada prova aceitar como verdadeiro um gabarito diferente. Ou seja, como vamos saber qual a linha de pensamento que a banca está seguindo?

Barateou o processo, mas a organizadora vai continuar alegando que tem que pagar aluguel de máquina, o que aumenta o preço. Isso não vai reduzir a taxa para o candidato.

Quanto à segurança, para mim as questões do vírus e do hacker são as mais importantes. É uma preocupação da banca, porque se um vírus entrar no sistema e comprometê-lo, todos os dados serão perdidos e uma nova prova terá de ser feita.

Eu não estou aqui criticando o processo eletrônico, que é uma fatalidade e a única forma de reduzir custo, mas o que não pode acontecer é a perda de transparência. Esse modelo tem que permitir que o candidato avalie a prova e o desempenho em relação aos companheiros, permitir o questionamento de uma resposta numa prova e a divulgação do gabarito. Isso é abrir uma discussão mais ampla para todo mundo poder participar, envolvendo mais gente para poder garantir e avaliar possibilidades de, mesmo informatizando a prova, garantir que o candidato continue sendo o controlador do processo.

(Paulo Estrella, diretor pedagógico da Academia do Concurso/ Jornal dos Concursos & Comercial Empregos)

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