plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 28°
cotação atual R$


home
CONCURSOS

Concursos: um árduo caminho para a estabilidade

Em tempos de competitividade no mercado, recorrer a um concurso público transformou-se em passaporte para estabilidade. Ser servidor em um órgão federal, estadual ou municipal é a ambição de milhares de brasileiros que buscam a garantia de salários em dia

twitter Google News

Em tempos de competitividade no mercado, recorrer a um concurso público transformou-se em passaporte para estabilidade. Ser servidor em um órgão federal, estadual ou municipal é a ambição de milhares de brasileiros que buscam a garantia de salários em dia e a certeza de uma aposentaria tranquila. Chances não faltam. Em todo o país existem, hoje, 80 editais abertos com a oferta de pelo menos 18.832 vagas divididas em todos os níveis de escolaridade [a essas se acrescentam ainda os convocados das listas de cadastro de reserva]. Mas se à primeira vista, a aprovação pode ser encarada como um ‘passe de mágica’, a constatação seguinte é dura. O caminho até a tão sonhada vaga é longo. Significa planejar uma carreira – algumas vezes abandonar outra - encontrar tempo e disposição para estudar, fazer sacrifícios e, principalmente, estar disposto a encarar muita concorrência.

“Quando o assunto é concurso público, eu costumo dizer que depois da tempestade vem a trovoada. Não existe bonança até a aprovação”, adverte Augusto Chaves, coordenador de um cursinho preparatório para concursos que há 20 anos no mercado de treinamento para certames viu a busca pela área pública virar tábua de salvação há 10. “Se olhares bem, no passado não era a coqueluche que é hoje, havia, inclusive, um preconceito contra a profissão”, diz Augusto.

Professor de informática para concurso, conteúdo apontado como uma das maiores ‘cascas de banana’ quando o assunto é prova, Kleper Gomes, analisa os últimos 15 anos de experiência em sala de aula e chega uma conclusão reveladora. “Diferente do passado, o concurseiro de hoje está se profissionalizando. Muita gente está deixando a faculdade de lado para conseguir passar em um concurso. É um fenômeno que é realidade nas salas de aula, primeiro você garante o seu pé de meia, depois vai em busca de uma faculdade”, afirma.

Na mão dessa tendência é que tem crescido em Belém o mercado preparatório. Há cursos presentes em diferentes pontos da cidade e ofertas de diferentes preços. Desde pacotes completos que incluem de um a dois meses com disciplinas que abarcam todo o conteúdo programático até mini cursos e aulões específicos que servem como um “plus” na hora da preparação, “O cursinho não é uma ferramenta indispensável, mas é importantíssimo para a preparação porque conduz o concurseiro à melhor trilha do caminho. No cursinho, os professores estão preparados para direcionar o candidato para a banca examinadora, isso dá segurança”, aponta Augusto Chaves.

Para João Libonate, diretor de outro centro de capacitação, a busca crescente inclusive entre os jovens se dá principalmente pelas oferta de salários melhores. “O Setor público paga muito melhor que o privado, hoje. Há concursos que para o nível médio pagam R$4 mil. Não tem como não se tornar uma atração”, opina, apontando aquele, que segundo os três especialistas consultados, é o pior erro de um concurseiro. “Ainda é preciso mudar a mentalidade do concurseiro paraense. Para ter êxito, é necessário uma exímia preparação que pode levar anos. Aqui, ainda temos a cultura do edital, as turmas só ficam lotadas quando o edital é lançado e aí tem que se correr contra o relógio”, avisa.

Começar a estudar de um a dois anos antes da realização da prova é a dica de quem entende do assunto. No período em que ainda não estão definidos detalhes como banca examinadora e conteúdo programático, dá pra saber por onde começar. “Língua portuguesa, informática, matemática básica para ter noções de lógica, direito administrativo e constitucional, são assuntos presentes em praticamente todos os concursos. Estudar com antecedência é garantir vários passos a frente”, orienta. Há um, no máximo três meses, da prova, quando são lançados os editais é o momento de intensificar exercícios, dedicar-se a disciplinas especificas e participar de maratonas e aulões específicos. “Não existe concurseiro de sucesso 100% em uma disciplina. Quem passa não é o de um 10 em uma matéria, mas o de média 7 ou 8 em toda a prova”.

Vagas não faltam, mas é preciso dedicação

Hoje, há em todo o país 80 editais abertos com vagas em capitais e municípios do interior. Autorizados, outros 79 aguardam publicação de editais. Em Belém, um anúncio que promete acelerar a corrida rumo aos cursinhos é o do Banco da Amazônia, que apesar de prever vagas apenas para cadastro de reserva nos cargos de técnico bancário é uma boa opção para candidatos que dispõem apenas de ensino médio. No último concurso, aberto nas mesmas circunstâncias, quase 100 candidatos foram convocados para a vaga.

Há outras ofertas. Os ‘queridinhos’ dos concurseiros, especialmente pelos salários melhores, são concursos que apesar da ausência da publicação do edital, estão garantidos para 2013. Aparecem na lista: Tribunal Regional do Trabalho 8ª região (cronograma prevê publicação do edital no dia 27 de junho, com provas no dia 1º de setembro a serem aplicadas pelo Cespe); Polícia Rodoviária Federal (edital tem prazo até outubro deste ano para ser lançado. Mil vagas serão ofertadas para todo o país); e Secretaria de Estado de Fazenda (edital previsto ainda para o primeiro semestre. Serão 100 vagas para auditor com salários de R$ 4.911,52 e 100 para fiscal com salário de R$ 3.880,11).

Formado em administração, Alex Roberto Novaes da Cruz, 36, já está se preparando para a batalha que vem pela frente. Casado, pai de dois filhos, ele busca uma vaga no setor público desde o ano passado. Começou estudando para a Polícia Civil, mas também prestou provas para o Ministério Público do Estado, Câmara Municipal de Belém, Sesi, Companhia Docas do Pará. Sem êxito, tomou coragem. “Larguei o emprego em janeiro. Foi uma decisão que pegou a família de surpresa no começo, apenas minha esposa está trabalhando, mas o apoio não falta. Sabem que é uma escolha voltada para o futuro”, diz o concurseiro que atualmente mantém o foco para a prova do Polícia Rodoviária Federal. “Tenho morado no cursinho. São nove horas brutas de estudo. Venho às aulas pela manhã. À tarde estudo em casa. E aos domingos participo de mini cursos. É um sacrifício, mas valerá a pena. Daqui a um ano me vejo um policial rodoviário federal”, planeja.

Sonho também da já funcionária pública Silvana Negrão, 34. Graduada em enfermagem, Silvana não exerce a profissão, sempre se dedicou ao serviço público, mas ainda não está satisfeita. A maratona começou em 2004 quando prestou concurso para a Secretaria Estadual de Saúde do Pará (Sespa). Convocada dois anos mais tarde, permaneceu no órgão até uma nova conquista. “Passei nos Correios em 2011. Já estava pensando na PRF e queria fazer um teste, acabei passando, mas não quero parar. Quero ser aprovada na PRF e por isso já venho me preparando”, conta Silvana que acompanha aulas no cursinho pela manhã, trabalha até às 22 horas da noite e quando chega em casa ainda estuda pelo menos duas horas. “Perdi o namorado, ele queria um tempo que eu nesse momento não posso dar. Ele não soube pensar a longo prazo e acabou, tenho um ideal e não vou abrir mão dele”, diz sorrindo.

Quando chega a hora do tão esperado final feliz

Núbia Marques de Azevedo tinha passado dos 40 anos quando decidiu. “Preciso arrumar um trabalho que me dê constância, estabilidade. Vou fazer concurso público”, relembra a, hoje, analista judiciário da área administrativa do Tribunal Regional do Trabalho, 8ª Região Pará/ Amapá. Recém separada, com um filho de quatro anos, Núbia, que até então exercia a psicologia, se viu às voltas com a situação financeira diante de uma crise econômica que abolou os Estados Unidos há cerca de 15 anos. “Meu consultório esvaziou e meu padrão de vida despencou. Chamei meu filho e disse ‘estou entrando numa empreitada que só tem data para começar’ e a partir dali recomecei a estudar”, relembra Núbia. “O começo foi difícil, a primeira vez que vi direito constitucional foi um terror. Era tudo muito novo, mas não desisti”.

Chegar à função pública não foi fácil. Ela dedicou-se a algumas coisas, abdicou de outras e investiu pesado na preparação específica. “Parei a conta quando cheguei na casa dos R$5 mil. Mas valeu a pena, eu tinha uma meta e precisava alcançá-la”, diz a servidora federal aprovada no último concurso do TRT, realizado em 2010. “A disciplina é a chave do êxito. Depois vem o aprendizado. É importante você aprender com os seus erros. Eu perdi um ano e meio de estudo porque atirava para todos os lados. Aí percebi que era preciso foco e decidi que queria ser aprovada em tribunal. Deu certo”, comemora Núbia que fez provas nos quatro cantos do país e coleciona aprovações. Passou no Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, no Tribunal Regional do Trabalho 23ª Regional e mais recentemente no Tribunal Regional do Trabalho de Pernambuco, onde aguarda convocação.

(DIário do Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Concursos

    Leia mais notícias de Concursos. Clique aqui!