Com a liberação das notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2014 na terça-feira (13), foi divulgado também a queda nas médias das provas de Redação e Matemática. Para professores de Belém, o baixo desempenho foi uma surpresa e demonstra a queda na educação, enquanto que escolas e cursinhos preparatórios devem melhorar o conteúdo ministrado em sala de aula para preparar melhor o aluno. Segundo o balanço divulgado pelo Ministério da Educação (MEC), dos quase 6,2 milhões de estudantes que fizeram a prova de redação, apenas 250 obtiveram nota máxima, enquanto que 529 mil obtiveram nota zero, incluindo provas em branco.
A média das notas de redação, em relação a 2013, caíram 9,7% ou seja de 521,2 para 470,8. Em matemática, a queda representa 7,3%, diminuindo de 514,1 para 476,6. Tais notas surpreenderam o professor de Língua Portuguesa e Redação, Paulo Robledo. Para ele, era esperado um tema que estivesse em larga discussão nos jornais e mídias sociais. “Na verdade o que nós sempre esperamos como tema são assuntos polêmicos. O tema desse ano (publicidade infantil no Brasil) não foi algo extraordinário, não foi algo tão debatido. Isso pegou de surpresa os alunos, eles esperam mais sobre violência, aborto, questões de desigualdade”, disse.
Mesmo que os professores dessem dicas das possibilidades de temas para a prova, Robledo crê que o mais importante é que o aluno saiba construir um bom texto. “Eu sempre costumo falar que não é interessante o professor tentar adivinhar o tema. O importante é que o aluno desenvolva técnicas de redação. Prejudicar é fato, um tema pouco abordado, mas não é um diferencial, pois se você sabe construir, articular um texto, tiver um repertório cultural e está antenado a nota será boa”.
DEDICAÇÃO
Para ele, um dos motivos para o baixo desempenho é falta de dedicação de alunos com a língua portuguesa e a deficiência da educação no Brasil. “Eu fiquei bastante surpreso porque este montante que tirou nota zero reflete uma queda na nossa educação e é um problema que vem desde as séries iniciais. Recebemos alunos no ensino médio que não sabem ler direito ou escrever bem e temos a questão das redes sociais, os alunos estão mais dispersos, a gente percebe isso. Ali ele escreve de forma abreviada e muitas pessoas acabam trazendo para a sala de aula e faz uma redação como se escreve na internet”. Já o professor de matemática, Bruno Lima, explicou que um dos possíveis motivos para o baixo rendimento na prova do Enem foi uma mudança, onde passou a conter questões de nível mais elevado e deixou de apresentar apenas questões contextualizadas. “Até 2013 as questões eram mais de lógica, 50% eram questões fáceis, 25% de dificuldade média e 25% difíceis, mais técnicas matemáticas. Em 2014 se mostrou que não é só contextualizar, foi uma proporção maior de questões com matemática pura”. Para Lima, os professores a partir de agora devem se preparar mais para mudar este quadro.
(Diário do Pará)
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