Cerca de 60% dos candidatos faltaram ao Processo Seletivo Especial 2016, ofertado pela Universidade Federal do Pará (UFPA). O exame é voltado para estudantes indígenas, quilombolas e integrantes de populações tradicionais. A prova, realizada na tarde de ontem, foi composta apenas de uma redação. Eram 3.928 candidatos inscritos para 169 cursos de graduação.
Com o tema “A importância da solidariedade para a construção de uma sociedade mais justa”, a redação foi aplicada em Belém, Soure, Breves, Cametá, Abaetetuba e Altamira. A pontuação mínima que o estudante deverá atingir é 4. Os que passarem nesta fase, passam para a 2ª etapa: a entrevista. É nesse momento que os candidatos precisam apresentar documento comprovando a origem em comunidade indígena ou quilombola. Até a 2ª quinzena de fevereiro, a UFPA divulgará a lista dos aprovados na 1ª fase.
ENTREVISTA
Entre os dias 2 e 5 de março, os estudantes serão ouvidos em uma entrevista com uma banca de pesquisadores. “A universidade considera que essa seleção dá oportunidade a quem tem pouco acesso a educação de qualidade”, avalia Marilucia Oliveira, diretora do Centro de Processos Seletivos. Ana Carla Lima, 30 anos, arriscou, pela 1ª vez, uma das duas vagas em Medicina, ofertadas em Belém. Ela que mora no bairro do Barreiro, é técnica em enfermagem e faz parte de uma comunidade quilombola no município do Acará, tenta realizar um sonho antigo.
“Estudei as provas anteriores, os assuntos que falavam da sociedade atual e espero ter me dado bem”, diz. O técnico em eletrônica, Silvio Nogueira, 31 anos, da comunidade quilombola de Jacarecoara, tenta uma vaga no curso de engenharia elétrica. “Já trabalho na área. Agora é uma oportunidade a mais na profissão que pretendo seguir”, afirma.
(Michelle Daniel/Diário do Pará)
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