O Processo Seletivo Simplificado (PSS), da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), continua sendo contestado. Segundo a Associação dos Concursados do Pará (Asconpa), a seleção já começou errada. “Como um Governo que diz não ter dinheiro para nada consegue garantir o pagamento de mais de 3 mil temporários?”, questiona José Emílio Almeida, presidente da associação. “Por que não ofertar vagas efetivas?”. O Ministério Público do Estado (MPE) foi acionado pela Asconpa, que pediu a anulação da seleção.
Dos 3.264 candidatos aprovados para as vagas temporárias (veja abaixo), 8 aparecem em mais de um edital de convocação. Um deles consta em 53 municípios, segundo denúncia. “Quando comecei a checar quem foi aprovado, deparei-me com essas aberrações”, desabafou a candidata, que pediu para não ser identificada. Por meio de nota, a Seduc informou que o edital permitiu que o mesmo candidato se inscrevesse em mais de um município. Entretanto, a pessoa classificada nessa situação teria de optar por apenas um município.
A Seduc ressalta, ainda, que a escolha para onde quer ser lotado ficará a cargo do candidato, “considerando a demanda da Educação Profissional e Projeto Mundiar”. José Emílio Almeida destacou que a Asconpa protocolou, há duas semanas, acusação no MPE, para que o processo seja suspenso.
ANÁLISES
A seleção se deu pela análise de currículos dos candidatos, que preencheram formulário no site da Seduc, seguido de entrega da documentação. Não havia vagas definidas, apenas a relação de unidades onde o candidato poderá ser lotado. “A análise dos currículos será feita por servidores comissionados da Seduc, assim como as lotações dos candidatos”, disse a Asconpa.
TEMPORÁRIOS
O Processo Seletivo objetivou a contratação temporária, pela Seduc, de profissionais de nível superior de várias áreas e professores, além da substituição de profissionais cujos contratos estão sendo encerrados.

Emílio Almeida pede que a seleção seja substituída por concurso. (Foto: divulgação)
“UM JOGO DE CARTAS MARCADAS”
Emílio Almeida pede que seleção seja substituída por concursoPara o presidente da Associação dos Concursados, José Emílio Almeida, o Processo Seletivo da Seduc “é um jogo de cartas marcadas” e que tem a finalidade de armar um imenso cabide de empregos. “Justamente neste ano, em que o governador Simão Jatene fará o possível para reeleger os seus inúmeros candidatos a prefeito”, disse.Segundo ele, o objetivo da Asconpa é conseguir a anulação da seleção, com a consequente abertura de concursos públicos.
INVESTIGAÇÃO
O Ministério Público do Estado (MPE) informou que o caso está sendo analisado pelo grupo de apoio interdisciplinar do órgão, que avalia se houve alguma irregularidade na seleção.
O MP também afirmou que pediu que a Seduc enviasse a lista dos candidatos aprovados no processo de acordo com a ordem de pontuação, além de sua lotação nas unidades escolares. Solicitou, ainda, uma justificativa para a substituição dos atuais temporários por outros temporários.
(Bernadeth Lameira/Diário do Pará)
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