Sol e calor. Essa combinação, aliada às férias escolares, faz do mês de julho o verão dos sonhos na região Norte do País. Porém, mesmo em meio aos estudos intensos para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e outros concursos vestibulares, como resistir à tentação de aproveitar o veraneio? É difícil, e muitos não resistem mesmo.
Foi assim com a estudante Natália Borges, de 19 anos, que sonha com uma vaga no curso de Relações Internacionais. Mesmo com a maratona de estudos, ela resolveu fazer uma pausa no mês de julho para dar atenção à família e ao namorado. “Nessa parada, levei alguns livros para as viagens e não perder tudo”, garante. Mas ela reconhece que não é o mesmo ritmo de estudos de quem fica focado em uma rotina de estudante.
Por outro lado, entre aqueles que não foram curtir o sol, está a estudante Estefani Nascimento, de 17 anos, que está determinada a conquistar uma vaga na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (Espcex). Para Estefani, cada minuto é precioso e ela normalmente tem uma rotina de 8 horas diárias diante dos livros, inclusive nos finais de semana.
“O conteúdo que tenho pela frente é muito puxado, então resolvi estudar direto nas férias e o apoio da minha família foi importante”, contou a jovem, ao lado da mãe, Tenildes Nascimento. Estefani já sabe que passar na Espcex é só um primeiro passo. “Lá, depois do curso preparatório, é que de fato vou para a segunda fase, que é o curso de graduação”, diz ela, que pretende fazer Medicina na condição de oficial do Exército Brasileiro.
RITMO
Entre Estefani e Natália há uma diferença temporária de rotinas, mas os objetivos de vencer permanecem iguais e podem ser alcançados mesmo por quem abriu mão de algum tempo nos estudos. “O descanso também é importante. A pausa bem dosada, sem abandono total dos conteúdos, pode ser recuperada com uma boa programação de estudos na volta às aulas”, garante o professor de Física André Pinon.
“E isso não apenas em relação ao tempo dedicado, mas à qualidade do que é estudado”, reitera. Para Natália a notícia é animadora, porque ela seguiu o conselho. “Levei comigo algumas leituras importantes e apostilas de assuntos que eu sei que preciso ficar revendo”, conta a estudante, que no dia da entrevista estava planejando uma nova viagem para este último final de semana de verão.
ENTREVISTA - André Pinon, professor de Física
- É possível recuperar esses conteúdos não estudados?
No momento da volta às aulas, o mais importante não é o quanto se estuda, mas o que e como se estuda. É preciso fazer uma triagem de onde o estudante não está muito bem e intensificar os estudos nesses tópicos para equilibrar essa conta.
- O que fazer para ganhar tempo justamente diante desse pouco tempo para as provas?
Agora é mais benéfico ser estratégico. Avaliar pontos fortes e fracos para trabalhar cada lado, e principalmente retomar o ritmo com força. Depois de uns dias de merecido descanso, é preciso focar e concentrar esforços todos os dias até o Enem.

(Cléo Soares/Diário do Pará)
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