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Laparoscopia propicia um melhor tratamento a pacientes de emergência e trauma

quinta-feira, 07/10/2021, 11:38 - Atualizado em 07/10/2021, 23:54 - Autor: DINO



No Brasil, a cada ano, são registrados mais de 1 milhão de acidentes de trânsito, matando cerca de 40 mil pessoas e deixando mais de 370 mil feridos, entre eles, 95% são internados devido a algum trauma, segundo o Ministério da Saúde, divulgado pelo Conselho Regional de Enfermagem  Coren. De acordo com Panorama do Trauma no Brasil e no Mundo, com o aumento dos índices de motorização, a expectativa da Organização Mundial da Saúde - OMS é de que haja um elevado número de mortes, chegando a 2,4 milhões em 2030. Com isso, a laparoscopia passou a ser uma aliada, tanto no diagnóstico preciso quanto no tratamento dos pacientes internados, conforme a Ircad América Latina.

A laparoscopia, conhecida popularmente como cirurgia a laser, é uma intervenção cirúrgica minimamente invasiva feita com pequenas incisões na região a ser examinada ou tratada, com introdução do laparoscópio (tubo fino de fibras ópticas com câmera na ponta), informa a Dra. Jussara Soares Pereira, médica cirurgiã geral e videolaparoscópica.  

“No procedimento são feitas outras pequenas incisões para introduzir instrumentais cirúrgicos, idênticos aos utilizados em cirurgias convencionais, só que mais delicados e longos. Essa minicâmera que é introduzida transmite imagens em alta resolução para monitores de vídeos, que podem ser gravadas para posteriores estudos. Com esses instrumentais, pode-se acessar praticamente todos os órgãos do corpo humano”, explica a médica cirurgiã.

De acordo com a Dra. Jussara, a laparoscopia auxilia tanto no diagnóstico preciso quanto no tratamento de patologias, em que as imagens de alta resolução possibilitam um melhor campo de visão e tornam a cirurgia mais direcionada e assertiva, além de ser menos cansativa. Contudo, a especialista observa que a laparoscopia ainda é subutilizada em emergências e principalmente no trauma, apesar dos diversos benefícios.

A médica relata que as cirurgias de emergência e trauma são um grande desafio, mesmo para cirurgiões experientes, e requerem uma constante necessidade de atualização. Além da limitação relacionada à habilidade do cirurgião, é enfrentado dificuldades de acesso aos materiais (que são mais caros que os convencionais e nem sempre estão disponíveis no SUS), e também dependendo da condição clínica do paciente. “Para ter condições de ser submetido à laparoscopia, o paciente deve estar estável e, em casos de trauma, não podendo ter TCE (trauma cranioencefálico) grave”, declara Pereira.

Segundo o Ircad América Latina, o Conselho Federal de Medicina afirma que o trauma representa a principal causa de morte na população abaixo de 40 anos no mundo, sendo também responsável pela maior causa de invalidez permanente para homens e mulheres com menos de 50 anos. Também informam que são mandados para o hospital 20 pacientes a cada hora, além de ferimentos por armas de fogo e arma branca, quedas, queimaduras e acidentes em geral. E uma das cirurgias de emergência que pode salvar essas vidas é a laparoscopia.

Conforme a Dra. Jussara, em pacientes que são selecionados para o procedimento, são obtidos excelentes resultados com a laparoscopia. Ela observa que estudos sobre o uso da laparoscopia no trauma abdominal penetrante mostram uma queda de quase 80% nos casos de necessidade de laparotomia exploradora (cirurgia aberta para avaliação/intervenção da cavidade abdominal), principalmente em ferimentos na transição tóraco-abdominal (gold standard). Também lembra que a laparoscopia pode ser diagnóstica (após uma avaliação de toda cavidade abdominal, onde se pode concluir que nenhuma intervenção é necessária) ou terapêutica (com realização de procedimentos

“Com a experiência que tenho na área de urgência e emergência clínica e cirúrgica de traumas, especialmente em pacientes críticos com iminente risco de óbito, garanto que a laparoscopia tem muitos benefícios, além dos citados. Mas, infelizmente ainda existe um grande receio devido ao risco de deixar passar lesões despercebidas. No entanto, com um eficiente treinamento da equipe cirúrgica, advento de melhores materiais e uma sistematização da exploração da cavidade abdominal diminuem substancialmente esse risco, reforçando cada vez mais o uso da laparoscopia em situações de emergência e trauma”, finaliza a Dra. Jussara Pereira.

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