Uma narrativa sobre as transições de gênero e as racialidades de uma pessoa não binária na Amazônia é o enredo do longa-metragem “Deusa da Aberrassaum”, que estreia hoje, 30, às 19h, no YouTube. Com uma hora e trinta minutos de duração, o filme foi produzido ao longo deste ano, mas começou a ser escrito em 2018, como um projeto de espetáculo cênico,.
“Antes de saber tudo isso que sou, aos 21 anos de idade, em 2017, eu adoeci, tive que parar todas as minhas atividades, trabalhos e relacionamentos pra me cuidar. Esse foi o início das minhas transições, comecei a fazer tratamento psiquiátrico e acompanhamento psicológico. Anotar e gravar as minhas reflexões fazia parte do tratamento. ‘Deusa da Aberrassaum’ são essas anotações e gravações de voz que fiz durante esse período de investigação de mim mesma”, conta. “Descobri que você não é o que você foi criada pra ser, pode ser muito difícil de lidar nessa sociedade estruturalmente machista, misógina e transfóbica. Eu fui criada como homem pra ser homem e nunca fui”, completa Htadhirua.
O filme é baseado na relação da artista com ela mesma e com a sociedade em que está inserida, e tem como objetivo principal valorizar e visibilizar o talento, a arte, o trabalho de pessoas trans, pretas, indígenas e pessoas neurodivergentes no Pará. O elenco conta com 18 pessoas trans, 4 mulheres cis pretas, 2 pessoas indígenas, 2 mulheres cis amazônidas, 3 homens cis pretos, trabalhando entre elenco e equipe de produção. As gravações ocorreram em bairros de Belém, incluindo Outeiro, Ananindeua e Salvaterra, no Marajó.
“Eu me sentia, e sinto ainda, uma aberração nos lugares públicos. As pessoas fazem questão de demarcar que sou diferente ou errada em relação a elas. Mas sei da falta de entendimento e compreensão das pessoas de modo geral, eu não poderia ser qualquer aberração, eu me conheço! Daí surgiu o título, ‘Deusa da Aberrassaum’, diz Htadhirua.
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