O 11º Festival Pan-Amazônico de Cinema entra na reta final em Belém com três dias que condensam o espírito do festival: cinema indígena, cinema negro, espaços de formação e a aguardada premiação das Mostras Competitivas. A programação segue até quarta-feira (6), com atividades gratuitas espalhadas por diferentes espaços culturais da cidade.
A 11ª edição do festival conta com patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Rouanet de Incentivo a Projetos Culturais, Ministério da Cultura e Governo do Brasil, com apoio cultural do Governo do Estado do Pará, Sesc/Pará, Fórum dos Festivais e Mistika. Parceria: Aliança Francesa Belém, Instituto +Mulheres, FICCI e Apex Brasil. A realização e produção são da Z Filmes e do Instituto Culta da Amazônia.
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Um dos principais diferenciais do festival está no deslocamento de perspectiva que propõe. Historicamente, grande parte das produções sobre a Amazônia foi realizada a partir de um olhar externo, que frequentemente reduz a região à paisagem, ao conflito ou a uma ideia de floresta dissociada de quem a habita. O Amazônia FiDoc tensiona essa lógica ao reunir obras construídas a partir de dentro dos territórios e por isso nesta segunda (4), ocorre a inauguração da Mostra de Cinema Indígena.
Filmes como “Mundurukuyü - A floresta das mulheres peixe”, realizado pelo coletivo indígena Daje Kapap Eypi, do povo Munduruku, apresentam narrativas em primeira pessoa, em que os próprios sujeitos se colocam como autores de suas histórias. Da mesma forma, produções como “Terra Devastada” e “Ginga Reggae” evidenciam um movimento em que os territórios e seus povos narram suas próprias experiências, processos de destruição e estratégias de resistência.
“O cinema deixa de ser apenas um dispositivo de observação e se afirma como ferramenta de enunciação. A presença da câmera nas mãos de quem vive nesses territórios reconfigura não apenas o que é mostrado, mas também como essas histórias são construídas, ampliando a complexidade e a potência das narrativas apresentadas", explica Zienhe Castro, diretora do festival.

A Mostra Pan-Amazônica coloca lado a lado Peru, Venezuela, Equador, Guiana Francesa e Colômbia. “Shiringa” fala de um genocídio que aconteceu do outro lado da fronteira mas que é parte da mesma história. Kueka fala de um povo que vive numa fronteira que o mapa inventou depois. Ver esses filmes juntos em Belém é perceber que a floresta não obedece a nenhuma linha.
“Quase nenhum desses títulos está disponível em streaming. Não por falta de qualidade, por falta de mercado. Para muitas dessas obras, o FiDoc é a única janela real de circulação. Quem não for, provavelmente não vai ver", completa a diretora. “Quando colocamos uma produção do Acre ao lado de uma da Guiana Francesa, estamos dizendo que a Amazônia é maior do que qualquer fronteira nacional e que suas histórias merecem circular", defende Zienhe Castro.
QUARTA-FEIRA - 06/05 | ÚLTIMO DIA
Masterclass e encerramento de oficina pela manhã
A programação formativa se concentra no período da manhã, com atividades voltadas à estruturação e viabilização de projetos audiovisuais.
Das 9h30 às 12h30, no Sesc Ver-o-Peso, a masterclass Da Ideia à Construção de Business Plan, Estratégias de Venda e Financiamento para Filmes, com a diretora e produtora Eva Pereira, aborda os caminhos para transformar projetos criativos em propostas estruturadas, com foco em planejamento, financiamento e inserção no mercado.
Simultaneamente, na Casa das Artes, ocorre a última sessão da oficina Como Pensar e Fazer Um Filme de Baixo Orçamento, conduzida por Cavi Borges, encerrando o ciclo formativo com uma abordagem prática sobre produção independente e estratégias de realização em contextos de recursos limitados.
As atividades reforçam o papel do festival como espaço de formação e desenvolvimento, conectando criação, sustentabilidade e circulação no audiovisual.
Encerramento e Premiação no Cine Líbero Luxardo
O Amazônia FiDoc se encerra na quarta-feira (6), às 19h, no Cine Líbero Luxardo, com a cerimônia de premiação da 11ª edição. Na ocasião, serão anunciados os vencedores das mostras competitivas, incluindo as categorias de longa, curta, videoclipe e videoarte.
Ao longo de mais de uma década, o festival já reuniu mais de 3 mil filmes e consolidou Belém como um dos principais pontos de convergência do cinema pan-amazônico, conectando realizadores, públicos e narrativas de diferentes territórios da região.
Mais do que encerrar a programação, a premiação marca a continuidade de um processo. Como destaca Zienhe Castro, idealizadora e diretora do festival: “A gente sai daqui com novos projetos, novos parceiros, novos filmes que ainda vão ser feitos. O festival não acaba na premiação, ele continua nas pessoas que saem daqui querendo filmar.”
A cerimônia finaliza mais uma edição, mas reafirma o FiDoc como espaço de circulação de ideias, encontros e futuros possíveis para o cinema das Amazônias.
Sobre a Petrobras
A Petrobras é uma das principais empresas do país. Atua de forma integrada e especializada na indústria de óleo, gás natural e energia. A Cultura é também uma energia na qual a companhia investe, patrocinando há mais de 40 anos projetos que contribuem para a cultura brasileira e se fazem presentes em todos os Estados brasileiros.
Sobre a ZFilmes
Fundada em 1988, em Belém, desde 2004 dedica-se ao desenvolvimento de projetos audiovisuais. A principal atuação está na produção independente e autoral de curtas, médias e longas-metragens com temáticas voltadas à discussão e debate das problemáticas e as potencialidades da região Amazônica, foco principal da produtora. Realiza documentários, ficções, publicidades e oficinas de audiovisual. É a produtora oficial do Festival Pan-Amazônico de Cinema – Amazônia Fidoc, que propõe o intercâmbio e o diálogo das diversas “Amazônias” por meio da produção cinematográfica dos nove países que integram o território Pan-amazônico. Já produziu e co-produziu diversos formatos de curtas, médias e longas-metragens nacionais e internacionais. Dentre suas produções originais, estão o curta documental “Ervas e saberes da floresta” (2010/2012), premiado em Edital da Petrobras; o curta de ficção “Promessa em azul e branco” (2012/2013), premiado em Edital do MinC; o curta de ficção “O homem do Central Hotel” (2020), premiado em edital Carmen Santos/Minc e Prêmio de Melhor curta ficção no Festival Festin 3 en 1 em Lisboa - Portugal; o longa documentário e animação “Simplesmente Eneida”, que chega aos cinemas em 2026; e “Amazônia Ancestral”, série documental de oito episódios, que será lançada em 2026 pelo Canal CURTA!
SERVIÇO
- 11º Festival Pan-Amazônico de Cinema – Amazônia FiDoc
- Terça (05) e quarta (06)
- Entrada gratuita
06/05 — quarta (último dia)
- 9h–13h | Casa das Artes — Oficina Como Pensar e Fazer Um Filme de Baixo Orçamento, com Cavi Borges
- 9h30–12h30 | Sesc Ver-o-Peso — Masterclass Da Ideia à Construção de Business Plan, com Eva Pereira
- 19h | Cine Líbero Luxardo — Solenidade de Encerramento e Premiação
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