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CINEMA

"Matinta" é bem recebido em Festival de Curtas

A mostra de curtas continua a trazer filmes interessantes, embora nenhum ainda pareça excepcional. Boa surpresa foi “Acercadacana”, de Felipe Calheiros (PE), sobre a extinção das pequenas propriedades na Zona da Mata de Pernambuco sob ação das grandes

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A mostra de curtas continua a trazer filmes interessantes, embora nenhum ainda pareça excepcional. Boa surpresa foi “Acercadacana”, de Felipe Calheiros (PE), sobre a extinção das pequenas propriedades na Zona da Mata de Pernambuco sob ação das grandes usinas de cana de açúcar. O filme mostra como pequenos proprietários foram “convidados”, por meios nada civilizados, a deixar lotes de terras ocupados por suas famílias há gerações. Ouve personagens, a principal sendo dona Maria Francisca, sertaneja disposta, que defende seu meio hectare como uma leoa. O mérito não é só focar situação de injustiça, mas explicitar relações de poder no conflito de forças desiguais. É filme político. Feito por jovem, o que significa que nem tudo está perdido.
“Braxília”, de Danyella Proença (DF), traz um personagem incrível, o poeta e agitador cultural Nicolas Behr. Com longos cabelos contraculturais, Behr deixou Cuiabá nos anos 70 e mantém com Brasília um caso de amor crítico. Acha que a cidade é uma utopia traída e toda vez que ela respira segundo sua inspiração original torna-se “Braxília”, um não-lugar feliz. Sua vocação melhor é a intervenção poética e o filme traduz graficamente essa disposição de espírito. Outro filme da cidade, “Falta de Ar”, de Érico Monnerat, volta ao tempo da ditadura. Faz um paralelo entre um personagem que agoniza por problemas respiratórios e presos torturados com afogamento.
“Matinta”, de Fernando Segtowick, é o primeiro curta paraense a concorrer em Brasília e vem impregnado de espírito amazônico. Filmado na floresta, traz a lenda da Matinta-Perê (Matita, segundo variante), ser imaginário que pode adotar diversas formas ao atacar as pessoas. No elenco, a paraense Dira Paes, musa do cinema independente brasileiro. O filme é bem singelo. (AE)

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