A vontade de contar a história da cidade erguida pelo americano Henry Ford em plena floresta Amazônica, em 1928, fez com que o cineasta mineiro Marinho de Andrade desenvolvesse uma epopeia: foram quase duas décadas imerso em documentos, buscando pessoas, imagens, arquivos, livros, relatos - qualquer informação que pudesse ajudá-lo a reconstruir a história da ascensão e derrapada fatal de Ford.
Foram quase vinte anos entre a simples vontade de filmar e o resultado final. Da inquietude do diretor nasceu “Fordlândia” (Brasil, 2008), documentário premiado no Festival Pan-Amazônico de Cinema, realizado em novembro, e que hoje volta à tela do Cinema Olympia como parte da Mostra retrospectiva do festival. O filme permanece em cartaz até o dia 12 deste mês, em sessão que inclui o também premiado “Camisa de onze varas”, do paraense Walério Duarte. As sessões têm início às 18h30, com entrada franca. Até agora, já foram exibidos Terra deu, terra come” e “Mãos de outubro”.
“O filme não responde perguntas; faz perguntas”, diz Andrade, que assina a direção de “Fordlândia” ao lado do cineasta Daniel Augusto. O documentário recebeu a estatueta de Melhor Filme eleito pelo júri popular do Amazônia Doc. A primeira viagem rumo à cidade, conta Marinho, aconteceu em 1998. Em 2005, a equipe lá permaneceu por 22 dias - período em que foram gravados depoimentos valiosos como o de Dona Olinda, hoje com 100 anos, e que testemunhou o protesto de operários conhecido como “Quebra Panelas”. Leia mais no Diário do Pará
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