Em outubro, durante um debate no Festival do Rio, Bruno Barreto minimizou o fato de haver dirigido o campeão de bilheterias do cinema brasileiro - título que “Dona Flor e Seus Dois Maridos” ostentava até terça-feira, ao ser desbancado por “Tropa de Elite 2”. Era uma honra, claro, mas também um carma. Barreto fez filmes de que gosta mais e que não agradaram tanto ao público. E ele achava que ser superado faria bem ao cinema brasileiro como um todo. Seu pai, Luiz Carlos Barreto, que produziu “Dona Flor”, dizia a mesma coisa. “Mal posso esperar para me livrar deste fardo”.
Barretão estava sendo sincero, diz Marco Aurelio Marcondes, que bolou toda a estratégia de distribuição de “Tropa 2”. Depois que o primeiro filme vazou antes do lançamento e virou o fenômeno de pirataria que todo mundo sabe, era questão de honra, ou de sobrevivência, evitar que a história se repetisse. “Tropa 2” foi cercado de cuidados especiais para evitar a reprodução ilegal. O resultado é que o filme conseguiu chegar ao estratosférico número de 10 736.995 espectadores, superando os 10.735.524 de “Dona Flor”. O diretor José Padilha não tinha como meta bater o filme de Bruno Barreto. “Além de ‘Dona Flor’ pertencer a outro momento do cinema brasileiro, ter outro perfil, é um filme do qual gosto muito. Sônia Braga alimentou as fantasias de todo o mundo, José Wilker é fantástico”.
Já que bater “Dona Flor” não era a intenção de Padilha,qual seria ela, ou qual é? “Estou contente porque o ‘Tropa 2’ estabelece agora um só ranking de bilheteria do cinema brasileiro. Nos últimos anos, tínhamos ‘Dona Flor’ e os filmes da Retomada. Agora, a Retomada consegue bater o recorde histórico, e isso é importante, mas minha meta, pode até parecer presunção, é mais pessoal. É chegar aos 11 milhões de espectadores, que os cálculos oficiais apontam como o número dos que viram ‘Tropa 1’ em cópias piratas”.
Sobre o fato de “Tropa 2” ter sido um fracasso entre os marreteiros, Padilha tem sua interpretação. “O filme fala de corrupção. Denuncia a polícia e os políticos. O próprio público tomou consciência de que não ficaria bem ser contra a corrupção e, ao mesmo tempo, incentivar um ato criminoso como a pirataria”. Ou seja, o público fez a sua parte. Leia mais no Diário do Pará.
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