No começo dos anos 1980, Francis Ford Coppola e Jean-Luc Godard incorporaram o vídeo e sinalizaram a revolução digital que se consolidaria no cinema das décadas seguintes. Em 1982, na Disney, Steven Lisberger foi profético e, como um visionário, anunciou o admirável/assustador mundo novo que estava por vir. Um inventor é sugado para dentro de sua invenção e fica prisioneiro do mundo virtual que criou. “Tron” ia muito adiante do computador HAL-9000 de Stanley Kubrick em, “2001, Uma Odisseia no Espaço”. Sem “Tron” talvez não houvesse “Matrix”, dos irmãos Wachowski, nem toda a portentosa revolução digital de James Cameron em “Titanic” e “Avatar”.
“Tron” representava o desconhecido do cinema. Mas, por mais impressionantes que fossem seus efeitos - à base de néon, principalmente -, eles ainda eram primitivos em face do que a tecnologia hoje oferece como ferramenta para os realizadores.
O próprio James Cameron disse em São Paulo que agora a imaginação é o limite. Existe técnica para fazer não importa o quê. Há pouco menos de três décadas, porém, a Academia de Hollywood desqualificou os efeitos de “Tron” para o Oscar justamente porque muita coisa havia sido concebida no computador. Era como “trapacear”, para os velhinhos da academia.
Como “Tron” fracassou nas bilheterias, sempre houve na Disney a vontade de dar ao filme uma segunda chance. Segundo a lógica do estúdio, o filme não fracassou por falta de qualidades, mas por estar à frente de sua época. O produtor Sean Bailey resolveu não apenas bancar a produção, mas também Joseph Kosinski. Ele assina uma das produções recentes mais caras de Hollywood - orçamento declarado de US$ 170 milhões, menos o marketing, que consumiu anos de preparativos.
Pois “Tron”, o filme, é apenas a ponta de um iceberg que inclui 1001 itens de consumo, incluindo brinquedos e videogames, todos destinados a celebrar o embate entre o herói e os vilões virtuais, justamente Clu e Tron, os guerreiros que o inventor Jeff Bridges criou - Clu à sua imagem - para guardar o universo paralelo.
Kosinski, embora neófito no cinema, já era um veterano na publicidade e foram justamente seus comerciais para a Chevrolet e a Nike que convenceram Sean Bailey a bancar seu nome para a direção. Bailey sempre defendeu que não bastava refilmar “Tron”. Era preciso reinventar o original, daí o “Legacy” (legado), acrescentado ao título. O diretor antigo, Steven Lisberger, foi incorporado ao projeto como produtor executivo e consultor. Mas a concepção visual é integralmente de Kosinski.
Ao optar por um estreante, Bailey e a Disney talvez acreditassem que Kosinski seria mais fácil de manipular. O diretor revelou-se mais firme do que eles pensavam - e disposto a brigar pelas próprias ideias. Foram três anos de trabalho - o contrato foi assinado em 2007 - e o visual impressiona, mas também é, paradoxalmente, o elo fraco da produção. Leia mais no Diário do Pará.
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