Rugidos decretam o nascimento do primeiro blockbuster nacional de 2011: com 650 mil ingressos vendidos entre pré-estreias natalinas e o fim de semana de réveillon, “De pernas pro ar”, lançado no dia 31 em um circuito de 350 salas exibidoras, pode ultrapassar a marca do milhão em menos de sete dias em cartaz. Sua produtora, Mariza Leão, hoje estoura as garrafas de champanhe remanescentes do ano novo.
Há exatamente três anos, Mariza festejava um feito (então) invejável: seu “Meu nome não Johnny” abriu janeiro de 2008 somando 190 mil pagantes em três dias. Se os números do passado já lhe renderam aplausos do mercado, os de agora consolidam sua reputação de pé-quente e respaldam o chamado “cinema de produtor”, no qual profissionais responsáveis pela administração dos recursos de um longa-metragem desenvolvem criativamente um projeto de filme desde a sua gênese, do roteiro à montagem.
Acalentada por Mariza desde que foi idealizada pelo diretor Roberto Santucci, a comédia estrelada por Ingrid Guimarães e Maria Paula teve um desempenho capaz de evocar o resultado do fenômeno “Se eu fosse você 2” (2009), que, da Retomada para cá, só fica atrás dos 11,1 milhões de pagantes de “Tropa de elite 2”. Também lançado na ressaca das festas de fim de ano, com um número de cópias similar, o longa com Tony Ramos e Glória Pires abriu a carreira com 570 mil espectadores e saiu de cena com 6,1 milhões.
Mariza Leão traça estratégias para o longa, o 15° de sua carreira, originalmente batizado de “Sex Delícia”, em referência à sex shop onde a executiva vivida por Ingrid se reinventa afetiva e profissionalmente. “Bem antes da estreia, fizemos pesquisas com 250 pessoas para testar o nível de aceitação do público ao filme no Rio e em São Paulo. Ali, percebemos que o longa era entendido pelos espectadores como uma história sobre a família. Esse foi um dos motivos para que mudássemos o título. Se ficasse o nome “Sex Delícia”, jamais chegaríamos a um milhão na primeira semana. O conservadorismo no Brasil ainda é grande”.
PESQUISA
Graças às estratégias e enquetes promovidas por Mariza, “De pernas pro ar” conseguiu assegurar um caminho para chegar a dois milhões de espectadores, pelo menos nas estimativas de Paulo Sérgio Almeida, do site Filme B, que analisa as receitas cinematográficas do país.
“’De pernas pro ar’ vai ter vida longa, pois seu boca a boca é favorável, principalmente nas classes C e D. Ele inaugura o ciclo da comédia em 2011, que é muito bem-vindo”, decreta Paulo Sérgio.
Foi Roberto Santucci, de “Bellini e a esfinge” (2001), quem dirigiu “De pernas pro ar”. Mas o longa, orçado em R$ 6 milhões, vem sendo tratado pela classe cinematográfica como “um filme de Mariza Leão”. Em geral, desde que as noções de autoralidade no audiovisual começaram a ser difundidas, no fim da década de 50, costuma-se usar “um filme de...” apenas em relação a diretores, não a quem produz.
“É que a Mariza tem uma marca: a de dividir o processo criativo com o diretor, coisa que nem todo produtor no Brasil sabe fazer”, elogia Santucci, justificando a imagem de Mariza como “produtora autoral”.
Terminada a carreira em circuito de “De pernas pro ar”, Mariza tem quatro novos filmes pela frente: “Totalmente inocentes”, uma paródia da estética favela movie dirigida por Rodrigo Bittencourt; “O jardim secreto de Mariana”, que o maridão Sérgio pilota; “Dias quentes”, um projeto do casal de atores Ângelo Paes Leme e Anna Sophia Folch; e “Ponte aérea”, concebido por sua filha, Júlia Rezende. (AG)
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