Dois anjos que não podem ser vistos pelos humanos confortam os que desencarnam e auxiliam a enfrentar a passagem para o outro lado. Poucas linhas não são capazes de condensar a complexidade do filme “Asas do Desejo”, onde o realizador Win Wenders provoca uma reflexão profunda sobre a natureza humana.
O filme, considerado um dos ícones da estética pós-moderna no cinema, pela sua narrativa ora elíptica e fragmentada, ora suave como um poema, está em cartaz hoje (1), no Cineclube Alexandrino Moreira, do IAP.
“Asas do Desejo” mostra os últimos anos da Guerra Fria.
A celebração do ser humano é construída por um anjo, Damiel (Bruno Ganz). Apesar da sua intemporalidade espiritual, ele se apaixona por uma trapezista, Marion (Solveig Dommertin). A identificação entre eles surge por Marionz guardar um sentimento de também não pertencer a este mundo, se sentindo deslocada na cidade de Berlim.
Win Wenders (Amigo Americano/O Filme de Nick/Hammet/Paris Texas) é um dos mais importantes diretores do chamado cinema novo alemão, que começou a aparecer no início dos anos 70.
Junto com R. W. Fassbinder e Werner Herzog, Wenders chamou a atenção da crítica mundial para o cinema alemão que, naquela altura, estava se transformando. Com uma filmografia importante, Wenders realizou em 1987 um dos mais belos trabalhos sobre a natureza humana, fazendo um grande sucesso entre a crítica e o público. (Diário do Pará)
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