Um homem e uma mulher passam um dia juntos, conversando sobre arte, amor, família, cotidiano e a respeito de si próprios. O enredo não parece ser original, e até certo ponto de “Cópia Fiel”, tive a impressão de estar vendo uma versão mais madura de Jesse e Celine, casal dos filmes “Antes do Amanhecer” e “Antes do Pôr do Sol”. Mas essa primeira impressão logo é substituída por uma curiosidade que só aumenta a medida que a conversa entre James Miller (o cantor lírico William Shimell) e Elle (Juliette Binoche) vai se aprofundando.
Ele, um filósofo que está na cidade de Lucignano, na Toscana, divulgando o livro “Cópia Fiel”, que versa sobre como a cópia de um trabalho artístico pode igualar ou até mesmo superar a obra original. ela, uma solitária mãe de um pré-adolescente e dona de uma galeria de arte.
O encontro se dá na palestra onde James discursa, que deixa Elle absolutamente fascinada e louca para levá-lo até um museu da cidade, onde está a reprodução fiel de uma espécie de Monalisa renascentista – não a de Da Vinci.
Acontece que antes de se deparar com a obra, James é envolto num jogo de representações com a bela francesa, que vive na Itália há 5 anos.
Elle diz para as pessoas que vão encontrando no passeio pela cidade que ela e James são casados há 15 anos. Ele, absorto pela beleza e bom papo dela, entra na brincadeira e o que se vê são longos diálogos onde parece que eles realmente se conhecem. Em uma hora, parece em crise – fato que é amplificado pelo recurso dos espelhos onde eles se distanciam um do outro, presente em diversas cenas, supondo que não dá pra negar a história – em outra, parecem apaixonados. A cena chave é o almoço tardio para o qual Elle se enfeita toda.
James, sentindo que o limiar entre realidade e encenação está sendo derrubado, relembra que tem hora para partir da cidade.
O diretor Abbas Kiarostami aplica toda a sua sensibilidade narrativa na cena do quarto onde o suposto casal passou sua noite de núpcias, onde James nota a sua ligação ancestral com Elle. E que apesar de seus apelos contra a eternidade da arte e a mitificação, é no rosto de Elle que ele se perde e quem sabe, se encontra no fim do filme. (Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar