“Todos os dias quando acordo/Não tenho mais o tempo que passou/Mas tenho muito tempo/Temos todo o tempo do mundo...”, canta Alinne Moraes na cena chave do novo filme de Cláudio Torres, “O Homem do Futuro”, em cartaz em Belém. Despretensioso, essa produção nacional é um amalgama de muitos filmes do gênero “o que você faria se pudesse voltar no tempo?”
Mas ao lado das discussões morais a respeito da causa/efeito sobre alterações feitas no passado, o filme é um bom passatempo graças ao desempenho, como sempre, acima da média de Wagner Moura. O ator prova sua versatilidade se desdobrando entre a comédia, o romance e momentos dramáticos, tendo como companheiros Alinne Moraes, Maria Luísa Mendonça, Fernando Ceylão e Gabriel Braga Nunes, em diferentes tempos e espaços.
O enredo é o seguinte: a revolucionária forma de energia que o cientista Zero cria para para ir atrás do tempo que passou e consertar os erros o faz encontrar a si mesmo, 20 anos mais jovem, e interferir no andamento da sua história, mais especificamente no desfecho da festa de formatura do colégio, onde perdeu a sua musa. O rock é a trilha dos encontros e desencontros de Zero (apelido que ganhou) e sua namorada, Helena. Volta e meia ouvimos Zero ou João cantando “Creep”, do Radiohead, ilustrando bem a dinâmica de amor impossível.
E Wagner se divide entre o cientista quarentão amargo, o adolescente ingênuo e apaixonado e o canalha do futuro, e a química com Alinne funciona muito bem. Fato é que com esse trabalho mais, digamos, leve e sutil, Cláudio Torres deu uma recuperada na sua autoestima após fazer o sofrível “A Mulher Invisível” - tão fraco que o ótimo Selton Mello não é capaz de sustentar e deixar a história interessante nem na TV nem no cinema. Inclusive, foi durante as filmagens desse filme que “O Homem do Futuro” nasceu, numa cena onde Selton contracenava com ele mesmo e denunciava o mecanismo pelo qual a mulher invisível aparecia.
Esse “O Homem do Futuro” prova que é possível fazer uma produção ‘enlatada’ em terras braisilis, sem abrir mão da qualidade como fazem os filminhos da ‘globochanchada’. Os efeitos especiais são competentes e críveis, assim como a direção de arte, a trilha sonora, as locações e os cenários dessa ficção científica. E está anos luz à frente de bobagens como “Cilada” e “Assalto ao Banco Central”, que também tentam tomar emprestados todas a fórmulas e padrões desenvolvidos em Hollywood mas sem nenhuma competência.
CONFIRA
“O Homem do Futuro”. Em exibição no Moviecom Pátio Belém (segunda a quinta - 13h10, 17h35 e 22h), no Moviecom Castanheira (segunda a sexta - 16h50, 19h05 e 21h20, sábado e domingo - 14h35, 16h50, 19h05 e 21h20) e no Cinépolis (segunda a quinta - 12h50, 15h10, 17h45, 20h05 e 22h30). Censura: 10 anos.
(Diário do Pará)
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