Um falso documentário que contará momentos marcantes da história brasileira e mundial, com a participação do colunista Agamenon, do jornal O Globo, criado por Marcelo Madureira e Hubert Aranha na década de 80. Essa é a premissa do longa metragem de ficção “As Aventuras de Agamenon, o Repórter - e por sinal é muito enganosa.
Tendo estreado na semana passada em 242 telas nacionais, a performance do filme tem se configurado até agora numa notícia muito boa para o nosso cinema. Agamenon acumulou, até o dia 12 de janeiro, um público de mais de 360 mil pessoas e renda bruta de R$ 3.718.333. Não desmerecendo os números, o sucesso do filme nos deixa realmente descrentes do tipo de produção nacional que boa parte do público aprecia.
Explico: Agamenon é, sem dúvida, um dos piores filmes – brasileiros ou não – que já vi desde “Cilada”. O arrependimento que me bateu quando saí da sala de cinema para assistir ao filme de Bruno Mazzeo se repetiu logo no princípio desse filme roteirizado pelos Cassetas Madureira e Hubert, e dirigido pelo talentoso documentarista Victor Lopes.
É um arremedo de Forrest Gump, é uma miscelânia das gags e esquetes dos dois filmes anteriores dos Cassetas, que são sim programas televisivos de duas horas, mas ao menos aceitáveis como entretenimento. É uma tentativa vã de fazer uma comédia histórica apoiando-se num bom personagem, o sagaz colunista fictício que já me arrancou boas risadas folheando o Segundo Caderno de O Globo.
Não foi a escatologia que me incomodou profundamente, ou mesmo a profusão de palavrões, mas sim a total falta de um fio condutor, de um enredo. Agamenon vai pululando pelos fatos históricos sem provocar risos ou alguma reação positiva. O filme não tem ritmo, não tem unidade, a edição é um desastre. Tudo é muito gratuito e despropositado. Acho que nem a plateia masculina consegue achar graça do melhor amigo do protagonista, o “psicoproctologista” Dr. Jacinto Leite Aquino Rego e suas piadinhas retais.
Narrado por Fernanda Montenegro - indicada ao Oscar, dama da atuação e agora nessa roubada, coitada -, o filme tem participações especiais de Fernando Henrique Cardoso, Caetano Veloso, Suzana Vieira, Paulo Coelho, Jô Soares e outros, dando depoimentos ‘verdadeiros’ sobre Agamenon.
Nem as frases de efeito engraçadinhas que Adnet usa a torto e a direito em seus programas na MTV, nem mesmo as paródias funkeiras com citações de Einstein a Cabral - nada deu certo na telona. A paródia que ele tenta fazer durante a cena no navio que leva Agamenon para cobrir a Segunda Guerra Mundial na Europa é pálida e sem boas rimas.
É um dos momentos mais constrangedores ao longo dos 74 minutos de projeção, ao lado das participações de Pedro Bial como ele mesmo e de Luana Piovani, muito canastrona no papel da esposa safada de Agamenon, Isaura. Agamenon tem alguma qualidade? Os efeitos sonoros e visuais são bem feitos, os momentos de inserção histórica também, a reconstituição de época é caprichada, mas nem com a maior boa vontade do mundo dá para dizer que o filme é “razoável”, por que isso não é.
(Lorenna Montenegro/Diário do Pará)
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