Uma moeda dada pela filha se transformou no grande amuleto de Thomas Langmann, produtor do grande vencedor do Oscar, ‘O Artista’, vencedor de cinco estatuetas, entre elas a de filme, diretor e ator. “Eu a emprestei ao Jean Dujardin momentos antes de ele ser anunciado vencedor entre os atores e, depois, guardei no meu bolso, esperando a minha vez”, disse ele. “Fizemos um tributo ao cinema, especialmente o americano, mas não esperávamos tanto carinho em retorno.”
Na verdade, o grande amuleto de “O Artista” é um senhor ligeiramente calvo, que já foi mais gordo e que aplicou um beijo na face de Langman antes de subir os degraus da fama até o almejado Oscar. Trata-se do produtor Harvey Weinstein que, além do feito de conseguir prêmios importantes para um longa mudo e em preto e branco, faturou ainda com a premiação de melhor atriz para Meryl Streep (“A Dama de Ferro”) e com a escolha de Undefeated como melhor documentário de longa-metragem, premiações surpreendentes, pois outros eram favoritos.
“Harvey foi um dos principais incentivadores do filme, acreditando que poderíamos estar aqui”, disse Langmann. “Mesmo sem nos conhecer, ele foi à França um mês antes do Festival de Cannes, assistiu ao longa, riu muito e resolveu apostar suas fichas.”
Weinstein, de fato, é um jogador nato, especialmente quando aposta em filmes com perfil de azarão. No ano passado, ele também saiu vencedor com os prêmios ao seu “O Discurso do Rei” e, em 2003, foi o principal articulador para que “Cidade de Deus” - que fora ignorado no ano anterior pela Academia na categoria de filme estrangeiro - desse o primeiro passo para se tornar um sucesso mundial ao ser indicado em quatro categorias para o Oscar, inclusive a de filme.
ÊXITO
Harvey e seu irmão Bob precisavam de um grande êxito. Com dívidas crescentes, eles foram obrigados a vender o acervo da companhia de 250 filmes ao Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimento do mundo por US$ 50 milhões, algo como queimar os móveis para manter o ambiente aquecido. Na semana passada, os Weinsteins saldaram a dívida ao pagar com um crédito de US$ 150 milhões, ainda que boatos no mercado sussurrem que eles já fizeram novo empréstimo, agora de US$ 200 milhões. O céu também clareou para a equipe de “O Artista” com a premiação de domingo. O diretor Michel Hazanavicius, por exemplo, anunciou que pretende refilmar The Search, longa dirigido por Fred Zinnemann em 1948 e estrelado por Montgomery Clift. No Brasil, chamou-se “Perdidos na Tormenta”. “É um melodrama com fundo político, mas acredito que ainda é atual”, afirmou.
Já o ator Jean Dujardin parecia ainda estar no ambiente do filme, pois pouco falava e só jogava charme para as mulheres - na verdade, escondia com seu largo sorriso a dificuldade de falar inglês. Ele reconheceu ter dito um palavrão durante o discurso de agradecimento. “Estava muito empolgado e não percebi”, justificou ele, confessando ter realizado uma interpretação emotiva e não racional em “O Artista”. “Assisti a vários filmes, especialmente de Douglas Fairbanks e Gene Kelly como inspiração.” Dujardin garantiu ainda que pretende seguir carreira no cinema americano. “Nem que seja em outro filme mudo”.
VENCEDORES do OSCAR 2012
Melhor filme: “O Artista”
Melhor diretor: Michel Hazanavicius, “O Artista”
Melhor ator: Jean Dujardin, “O Artista”
Melhor atriz: Meryl Streep, “A Dama de Ferro”
Melhor ator coadjuvante: Christopher Plummer, “Toda Forma de Amor”
Melhor atriz coadjuvante: Octavia Spencer, “Histórias Cruzadas”
Melhor roteiro adaptado: “Os Descendentes”
Melhor roteiro original: “Meia-noite em Paris”
Melhor animação: “Rango”
Melhor filme estrangeiro: “A Separação”
Melhor trilha sonora: “O Artista”
Melhor canção original: “Man or Muppet”, de “Os Muppets”
Melhores efeitos visuais: “A Invenção de Hugo Cabret”
Melhor fotografia: “A Invenção de Hugo Cabret”
Melhor direção de arte: “A Invenção de Hugo Cabret”
Melhor figurino: “O Artista”
Melhor edição: “Os Homens que Não Amavam as Mulheres”
Melhor edição de som: “A Invenção de Hugo Cabret”
Melhor mixagem de som: “A Invenção de Hugo Cabret”
Melhor documentário: “Undefeated”
Melhor curta-metragem: “The Shore”
Melhor curta-metragem de animação: “The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore”
Melhor documentário em curta-metragem: “Saving Face” (Agência Estado)
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