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CINEMA

Vencedor do Oscar, ‘O Artista’ chega a Belém

Agora que o filme francês mais badalado dos últimos anos recebeu cinco Oscars no último domingo, carimbou credenciais para que a sua distribuidora, a Paris Filmes, disponibilizasse diversas cópias pelo Brasil, muitos terão a oportunidade de conferir a obr

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Agora que o filme francês mais badalado dos últimos anos recebeu cinco Oscars no último domingo, carimbou credenciais para que a sua distribuidora, a Paris Filmes, disponibilizasse diversas cópias pelo Brasil, muitos terão a oportunidade de conferir a obra, que presta um grande tributo ao antigo cinema e também olha para o futuro.

O diretor Michael Hazanavicius nos transporta para a Hollywood no ano de 1927, período no qual astros do quilate de Charles Chaplin, Mary Pickford, Dougas Fairbanks, Clara Bow e Rodolfo Valentino arrastavam milhares de pessoas às monumentais salas para vê-los na tela. George Valentim (Jean Dujardin), faz parte desse “star system” e é o astro maior dos estúdios Phonography, de Al Zimmer (John Goodman).

No primeiro minuto do filme, um cinema mostra Valentim sendo torturado por seus algozes e escapando da morte graças às peripécias do cãozinho Huggie. Por trás da tela, o ator saboreia seu sucesso e aguarda os aplausos. Mas a arte cinematográfica atravessa um momento de mudança profunda, quando o som, que não ouvimos mas sentimos quando a orquestra executa a trilha ao vivo na sala, passa a ser parte imprescindível da equação.

E se os atores, em vez de mimetizar cada gesto e ter uma boa parte da ação resumida a uma cartela com poucas palavras, pudessem falar e ser ouvidos pela plateia? Isso começa a passar pela cabeça de Zimmer, que apresenta a possibilidade a Valentim. “As pessoas vão ao cinema para me ver. Eu sou um artista e não preciso me sujeitar as mudanças e tecnologia para fazer a minha arte”, decreta o ator ao chefão do estúdio. Sua derrocada, como uma gangorra, eleva o status da corista Peppy Miller, que entra em sua vida acidentalmente e, impulsionada pelos conselhos dele e uma charmosa pinta, torna-se a queridinha da América.

Berenice Bejo empresta muita graça e uma atitude “coquete” para sua Peppy Miller, que diverte e emociona, além de ter uma química irresistível com o Valentim de Dujardin. Ele vai ficando para trás como uma carga descarrilada de trem que ruma em direção ao progresso. A Bolsa de Nova York quebra, ele vai a falência, perde a mulher, a riqueza e aposta suas fichas no cinema. Valentim escreve, dirige e estrela o filme “Paixão Aventureira”, e Peppy Miller chora a sua sorte.

A história de “O Artista” é construída de forma linear e clássica, com o apogeu, a queda e a ressurreição de Valentim conduzindo a narrativa. Mas Hazanavicius não abre mão do jogo de cena, de recursos da linguagem, como fusões e truques de câmera, para ilustrar o próprio poder do cinema em gerar imagens inspiradas, ao mesmo tempo em que presta homenagem a filmes icônicos de Hollywood – como a rua em que Valentim transita quando vai vender seu paletó, a mesma que vemos em “O Garoto”, ou a cena em que se encontra na escadaria do estúdio com Peppy Miller, e parece encarnar perfeitamente Clark Gable olhando de soslaio numa cena semelhante em “...E O vento Levou”.

Sem palavras
Fato é que as referências são muitas mas em nenhum momento elas se tornam dominantes sobre a história de dois seres que se apaixonam e pertencem a eras diferentes. E, apesar de filmes clássicos como “Cantando na Chuva” terem explorado o tema da transição do cinema mudo para o falado, nenhum o fez com tanto domínio e objetividade quanto “O Artista”, graças à criatividade de Hazanavicius – que escreveu o roteiro original – e a competência de seu casal central, muito inspiradores e humanos.

O Artista mereceu todos os prêmios que levou e, se fosse possível definir em poucas palavras o efeito de assistir a sua projeção e ao desfecho glorioso do enredo – que homenageia musicais como Zigifield Folies e da dupla Fred Astaire e Ginger Rogers -, caberia aqui um “sublime”. Ou quem sabe apenas um sentimento de satisfação, já que imagens, enquadramentos, olhares e a deliciosa trilha sonora traduzem bem mais do que palavras. (Diário do Pará)

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