Uma história comovente, sobre um homem dedicado, exigente e muito ligado à família, mas cada vez mais cansado com o ritmo extenuante do mundo das lutas. É assim que Anderson Silva se revela no documentário “Anderson Silva: Como Água”, que estreia hoje em Belém. O longa-metragem retrata a rotina do atual campeão dos pesos-médios do UFC durante sua preparação para o épico combate com o desafeto Chael Sonnen, em 7 de agosto de 2010. “Passa bastante a energia do brasileiro e muitas outras mensagens, como a de respeitar o mestre e as artes marciais. Me sinto muito feliz e realizado com este filme”, diz o protagonista. Segundo ele, o que aparece na tela grande é o “Spider” em seu comportamento natural. “Foi algo que aconteceu bem naturalmente, nem percebia que estavam filmando”.
Segundo o diretor Pablo Croce, o título é inspirado numa citação famosa de Bruce Lee, ídolo máximo de Anderson, de que um artista marcial deve ser “como água” - sem forma, facilmente adaptável a qualquer ambiente. A frase, retirada de uma entrevista do falecido ator e lutador, é usada logo na primeira cena do filme, e é ligada ao estilo de luta do brasileiro, que domina diferentes artes marciais como muay thai, jiu-jítsu, capoeira e taekwondo.
“Anderson diz que o estado mental dele quando entra no ringue tem que ser ‘como água’. Ele até brinca com isso no filme”, contou Croce. Para fãs que só passaram a seguir o MMA recentemente e para cinéfilos alheios ao esporte, “Como Água” é uma ótima apresentação ao mundo das lutas. O espectador pode acompanhar todo o processo de preparação de um lutador e o desgaste físico e emocional criado pelo campo de treinamento, além das demandas de promoção de cada evento.
Parte deste desgaste é culpa da distância da família, causada pela mudança do seu campo de treinamentos para os EUA. Anderson é retratado como um homem bastante ligado à esposa e aos filhos, sempre mantendo contato via rádio. À medida que a luta se aproxima, ele se torna mais desgostoso e confessa estar “de saco cheio” da distância. Na véspera do combate, diz que o mais importante para ele não é manter o cinturão, mas retornar inteiro para a família. Por outro lado, desde o início o paulista diz não concordar com as críticas recebidas após o combate com Demian Maia, anterior ao contra Sonnen, em que foi evasivo por cinco rounds. “Eles querem que você vá para a briga, mas se você perder, eles te cortam”, reclama.
Para os fãs mais antigos de Anderson Silva e do MMA, o filme traz poucas novidades. Para estes, o mais interessante é ver como o “Spider” é castigado nos treinos, como ele se comporta longe das câmeras de TV e como tudo o que aconteceu na luta com Sonnen fora antevisto pelo campeão e sua equipe. Fica claro o respeito que Anderson tem pelos seus treinadores e pela estratégia montada. Usando quase predominantemente câmeras de mão para documentar todo o processo, Croce consegue passar a sensação de “mosca na parede acompanhando tudo” que desejava. Por outro lado, teve a sorte de contar com Chael Sonnen como um vilão perfeito para a história. As controversas entrevistas do americano são usadas por todo o filme como contraponto da trajetória vivida por Anderson. “Parece que o Sonnen encontrou a vocação dele!”, brincou Rodrigo Minotauro. (Diário do Pará)
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