Uma misteriosa região sertaneja, onde avistamentos de ovnis, contatos de segundo grau e a presença de “sinais” extraterrestres são coisas rotineiras. A “Área Q” – já que os municípios que a compõem são Quixadá e Quiexamorabim – é um lugar com forte concentração cósmica, espécie de ‘pista de pouso’ para visitantes de outros planetas.
Chega no local Thomas Matthews (Isaiah Washington), um jornalista que passa por um período de expiação e desestímulo com a profissão, graças ao desaparecimento do filho. Ele recebe a missão de ir até o Brasil investigar relatos sobre ETs, desmascarar impostores ou descobrir algum fenômeno. O ator americano, mais conhecido por ter interpretado o inesquecível Dr. Preston na série Grey’s Anatomy, tenta emprestar qualidade ao filme, e consegue honrar suas calças interpretando com honestidade um homem que, aos poucos, vai vendo seu mundo ruir e o faro jornalístico levar a caminhos perigosos em busca de uma “revelação”.
Pena que todos os outros atores, brasileiros e americanos, estão só de passagem e não emprestam mais do que uma camada de atuação, o que joga toda a responsabilidade em criar alguma empatia com a história nas costas de Isaiah. Um exemplo irritante é Tânia Khalil. Quando ela surge na pele de Verônica, logo começa a dirigir olhares maliciosos para o belo americano. Parece mais uma ninfomaníaca do que alguém atrás de investigar os relatos populares.
Fica minando as teorias com argumentos pobres, e sempre está atrás de Thomas. Como não poderia deixar de acontecer, a “extremamente sexy” brasileira leva Thomas para a cama e acaba se apossando de alguns segredos pessoais e profissionais. Quando ele retorna de uma experiência extrassensorial, ela, como podia se esperar, sumiu. Um “quê” de conspiração se configura na trama, de forma – infelizmente – muito obvia.
TRILHA
Há coisas que realmente incomodam em “Área Q”. O esforço por querer demasiadamente ser um filme hollywoodiano acaba se revelando um tiro na água. Nos melhores momentos (que são poucos), a trilha sonora emula desde trilhas de “Sinais”, filme do diretor de origem indiana, até a épica música tema da série “Arquivo X”, composta por Mark Snow. Por sinal, M. Night Shyamalan deveria reivindicar a co-direção desse filme.
As referências ao seu filme são tantas e tão exaustivas, que vamos ficar só no enredo principal: homem viúvo questiona sua fé e começa a confrontar-se com seres extra terrestres que não são, necessariamente “bonzinhos” e invadem sua fazenda.
Em “Área Q”, vemos o embate de um homem fragilizado por uma tragédia, que tem que lidar com uma situação além da sua compreensão e ainda vislumbra a possibilidade do filho desaparecido ter sido abduzido (dúvida que ronda o personagem de Mel Gibson em relação à esposa atropelada, em “Sinais”) e ter lhe enviado – desculpem – “sinais” sobre o que ocorreu e onde ele encontraria as respostas.
Então voltemos ao sertão nordestino. Lá, no momento-chave quando o cético, porém esperançoso, jornalista se vê cara a cara com João Maria – ou a imagem que os ETs tenham preservado dele –, o jornalista fala em inglês, ouve o matuto falar em português e ambos se entendem perfeitamente. Será isso efeito da “bolha” onde João Maria se transporta, que vem equipada com uma espécie de tradutor universal? Só sendo estudioso dos fenômenos interplanetários, ardoroso espírita ou espirituoso demais para passar por cima desse e de outros “causos inexplicáveis” presentes em “Área Q”. (Diário do Pará)
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