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CINEMA

Cine Estação exibe ‘Violência e Paixão’

O Cine Estação das Docas estreia hoje, em película, “Violência e Paixão”, do mestre italiano Luchino Visconti, com Burt Lancaster, Silvana Mangano e Helmut Berger. O filme tem sessões às 18h e 20h30, e fica em cartaz até o dia 10. O longa foi realizado do

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O Cine Estação das Docas estreia hoje, em película, “Violência e Paixão”, do mestre italiano Luchino Visconti, com Burt Lancaster, Silvana Mangano e Helmut Berger. O filme tem sessões às 18h e 20h30, e fica em cartaz até o dia 10. O longa foi realizado dois anos antes da morte de Visconti, ocasião em que se encontrava já com a saúde debilitada devido ao infarto sofrido durante as filmagens de “Ludwig”, que o prendeu a uma cadeira de rodas até a sua morte, em 1976.

“Violência e Paixão” narra a história de um professor aposentado que leva uma vida solitária, cercado de livros e de muitos quadros de pintores famosos. Certo dia, ao receber dois representantes da Galérie Blanchard, de Paris, conhece a marquesa Bianca Brumonti (interessada em alugar um apartamento do palazzo); Lietta, sua filha, acompanhada de seu namorado, Stefano; e Konrad, amante da marquesa. A despeito da resistência oferecida pelo professor, este termina sendo envolvido pela senhora Brumonti e seu grupo. Quando os quatro se instalam no tal apartamento, eles transformam a monótona vida do professor num verdadeiro inferno.

O filme é uma espécie de testamento estético e moral de Visconti. Como cenário, a Itália dos anos 70 representada num suntuoso apartamento em Roma, em confronto direto entre a tradição cultural e a vulgaridade dos novos ricos, juntamente com os supostos revolucionários de espírito livre e o terror fascista fora daquele espaço, representado pelo marido ausente.

“Violência e Paixão” venceu o Prêmio Nastro D’Argento em cinco categorias, levou o Prêmio David di Donatello de Melhor Filme e Ator, e ganhou o troféu de melhor filme no Prêmio David Europeu, todos em 1975.

EXCELÊNCIA

Logo em seu primeiro trabalho, uma amostra do que poderíamos esperar durante toda a sua existência cinematográfica: qualidade. Em “Obsessão”, de 1943, Visconti fez uma adaptação não autorizada do livro “The Postman Always Rings Twice”, de James Cain. Por causa do não pagamento dos direitos autorais da obra original, o filme foi proibido nos Estados Unidos até a década de 70.

Em 1948, com “A Terra Treme”, Visconti explora as dificuldades sociais da época ao narrar a história de um jovem pescador que decide trabalhar por conta própria. Em “Belíssima” (1951), o diretor dava os últimos passos neo-realistas, antes de realizar uma de suas obras-primas: Rocco e Seus Irmãos (1960), drama social elevado ao máximo da estética e narrativa, contanto a história da família que vai morar em Milão e deve, com o tempo, se adaptar à nova vida. “Noites Brancas”, de 1957, oferece novas dimensões narrativas para a obra de Dostoiévski.

“O Leopardo” (1963) trouxe a Palma de Ouro em Cannes às mãos de Visconti, através da história de Dom Fabrizio Salina, um nobre príncipe que vive a decadência da nobreza e a ascensão da burguesia durante a Itália do ano de 1860. Com “Morte em Veneza”, de 1971, a polêmica característica de sua filmografia toma ares ainda maiores. “Ludwig” (1973) foi a sua antepenúltima obra, e também aquela que marcou o início de uma série de problemas em sua vida pessoal.

“Violência e Paixão” (1974) foi relançado no Brasil no ano passado. O canto do cisne, O Inocente (1976), foi dirigido já em cadeira de rodas e teve de ser finalizado após o falecimento de Visconti. A obra de Luchino Visconti remete ao um cinema de histórias marcantes, uma exaltação à beleza, grandiosidade e decadência. Um dos grandes nomes do cinema italiano e um dos mais importantes nomes da história do cinema mundial.

ASSISTA

Violência e Paixão (Itália/França, 1974), de Luchino Visconti. 18 anos. Exibições: hoje, 18h e 20h30; amanhã, 18h e 20h30 e domingo, 10h, 18h e 20h30. O filme volta ao cartaz de 8 a 10 deste mês. Ingressos: R$ 7, com meia-entrada para estudantes. (Diário do Pará)

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