Vem da terra do sol nascente um filme que ganhou status de obra cultuada e está em exibição nesta segunda-feira (2), na sessão que a Associação de Críticos de Cinema do Pará programa no IAP. Dirigido por Kaneto Shindô e considerado um marco do cinema fantástico e do gênero de horror, “Onibaba” trata-se de uma lírica história de fantasma, que tem como cenário o Japão medieval e seus sangrentos conflitos entre feudos.
Passado no século 14, durante o período intitulado Sengoku – em livre tradução, dos ‘estados guerreiros’ -, o filme é centrado em duas personagens femininas: Yoshimura e sua sogra Otawa. Elas aguardam o retorno de um homem da guerra e vão vivendo num pântano medonho, à custa dos pertences de soldados desertores que por lá aparecem.
O subtítulo que recebeu no Brasil, ‘a mulher diabo’, faz referencia a máscara demoníaca que Otawa usa. Ela aterroriza tanto Yoshimura que a jovem passa a buscar alento em Hachi, um vizinho que retorna da guerra. Mas a sogra não quer perder sua companheira, com quem divide mortes e obtém ajuda para sobreviver, tanto que bola um plano diabólico para manter o estado das coisas.
Assustador e extremamente crítico, ao tratar de personagens que por conta de uma guerra civil que se prolonga por mais de um século, se veem em extrema miséria e vivendo em terras abandonadas. O filme tem como ponto de partida um texto budista com uma moral bem definida, e o que Shindô faz é aliar os elementos essenciais desse conto, com o clímax da narrativa.
Pontuado com uma tensão constante sua obra – a cabana aonde elas vivem é cercada por um canavial fantasmagórico -, o diretor mantém um pé fincado na realidade ao não o filme na moral religiosa, refletindo uma preocupação terrena com aquelas pessoas numa situação extremamente difícil.
Falecido aos 101 anos de idade em meados de maio deste ano, Kaneto Shindô é autor de uma extensa obra que se iniciou ainda nos anos 50 e se prolongou com filmes vívidos. Os seus títulos mais conhecidos no ocidente continuam sendo filmes que fez há mais de quatro décadas, como “A Ilha Nua” e “Kuroneko”. “Onibaba”, o intermediário entre essas duas produções, venceu dois prêmios internacionais (Blue Ribbon) para fotografia – que retrata bem o medo de forças do além e do conflito bélico - e atriz coadjuvante. (com informações da assessoria)
SERVIÇO
Sessão ACCPA/IAP apresenta “Onibaba – a Mulher Diabo”, de Kaneto Shindô. Nesta segunda-feira (2), às 19h, no Cineclube Alexandrino Moreira (Instituto de Artes do Pará - praça Justo Chermont, ao lado da Basílica de Nazaré). Entrada Franca. Após a exibição, debate entre os críticos da ACCPA e o público.
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