Um filme que completou dez anos e continua sendo objeto de afeto de muitos amantes do cinema. “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, que será exibido nestaquinta-feira (5), às 19h, no cine Saraiva, alavancou a capacidade comercial do cinema francês mundo afora, angariou prêmios e fama para seu diretor e transformou em estrela Audrey Tautou.
Em 13 de setembro de 1973, às 18:28:32, uma mosca califorídea, capaz de 14.670 batidas de asa por minuto, pousou na rua Saint Vicent, em Montmartre. No mesmo segundo, num restaurante perto do Moulin-de-la-Galette, o vento esgueirou-se como por magia sob uma toalha, fazendo os copos dançarem, sem que ninguém notasse. Nesse instante, no 5º andar do nº 28 da rua Trudaine, 9º distrito, Eugène Colère, de volta do enterro de seu amigo Émile Maginot, apagou seu nome da caderneta de endereços. Ainda nesse mesmo segundo, um espermatozóide de cromossomo X, pertencente ao senhor Raphaël Poulain destacou-se do pelotão e alcançou um óvulo pertencente à Sra. Poulain, em solteira, Amandine Fouet. Nove meses depois nascia Amélie Poulain.
Assim é o epílogo do filme que Jean-Pierre Jeunet (que já havia feito os deslumbrantes Delicatessen e Ladrão de Sonhos) dirigiu em 2002. Amélie é uma fábula fantástica sobre a capacidade de sonhar e transmutar em realidade. Apesar dos tempos difíceis para os sonhadores, Amélie transborda doçura e paixão pela vida, seja usufruindo seus hobbies mais frugais como jogar pedrinhas na água, ou quebrar a casquinha do creme bruleé.
Apesar disso, nossa protagonista está em permanente fuga e abstração da sua realidade, graças a alguns traumas de infância e os pais difíceis. Ela trabalha num café onde figuras extravagantes transitam, e através de suas andanças por Paris, mais tipos vão surgindo e interferindo na narrativa da história da francesinha.
Um deles, Nino, é o objeto de paixão da moça. Amélie tem encontros e desencontros com ele nas cabines fotográficas dos metrôs, idealizando o amor romântico invés de concretizá-lo. Privada dela mesma, Amélie exercita sua sensibilidade ao se deixar encantar pelas coisas simples da vida, num filme que tornou-se um dos maiores sucessos do cinema francês mundo afora.
Combinando elementos como as cores fortes da fotografia, uma Paris com ar vintage, a trilha de Yann Tiersen que virou vedete em campanhas publicitárias, à direção sempre descambando para o onírico de Jeunet, o filme é coeso e fascinante. O diretor, por sinal, encontrou na jovem Audrey Tautou a tradução perfeita entre o ar ‘coquete’ e ingênuo de Amélie Poulain.
A atriz, por outro lado, veio encontrando dificuldades em desassociar a sua imagem da personagem, conquistando poucos papéis diferentes das jovens doces e ingênuas desde então. Mas com papéis como de Coco Chanel e da advogada melancólica de “A delicadeza do Amor”, Tautou veio provando que existe muito mais por trás dos seus expressivos olhos grandes e escuros do que capturam as telas dos cinemas.
SERVIÇO
Sessão ACCPA/Saraiva apresenta “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, de Jon Amiel. Nesta quinta-feira (5), às 19h, no espaço Benedito Nunes da Livraria Saraiva ((Boulevard Shopping, 2º piso). Entrada Franca. Após o filme, debate entre o público e os membros da Associação de Críticos de Cinema do Pará.
(DOL, com informações da ACCPA)
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