“Caçaram-se como inimigos... atormentaram-se como selvagens... e enfrentaram-se como homens”. Essa é a síntese do filme “Inferno no Pacífico”, que será exibido hoje, na Sessão Cult do Cine Líbero Luxardo.
Pessoas opostas, que possuem rivalidades territoriais, são o mote dessa produção dirigida em 1968 por John Boorman (que faria outro filme sensacional sobre a guerra, “Amargo Pesadelo), que acabou inspirando muitos outros roteiristas, como o que escreveu “Inimigo Meu”, de 1985, com Dennis Quaid e Luis Gosset Jr. como rivais galácticos.
Já perto do fim da Segunda Guerra Mundial, um piloto norte americano (Lee Marvin) e um oficial japonês (Toshiro Mifune), acabam presos numa pequena ilha deserta. Abrindo mão dos diálogos verborrágicos, Boorman aposta no duelo silencioso entre os inimigos mortais que estão no limite.
Marvin está muito expressivo vivendo o americano que confia demais na esperteza pra conseguir as coisas, mas como não possui os conhecimentos básicos do manual de sobrevivência, depende do japonês para sua subsistência. Mifune equilibra calma com a presença um tanto destemperada do americano. Ele, um dos grandes atores orientais de todos os tempos, que trabalhou muito com Akira Kurosawa e muito pouco no cinema ocidental.
Partindo de uma premissa simples, vemos como a natureza hostil se manifesta numa longínqua ilha do Pacífico. Os dois, desprendidos de suas pátrias, não sabem que a guerra acabou, não conseguem se comunicar e passam a enfrentar situação que fazem aflorar o respeito, a coragem, e o valor do inimigo. A narrativa que explora detalhes visuais da ilha, para ilustrar o isolamento exterior, agrega aqui a expressividade corporal dos protagonistas, numa demonstração de talento e domínio da linguagem audiovisual por parte de Boorman.
É um belo filme de aventura, reflexivo sobre as diferenças de costumes e culturas, um libelo pacifista sem ser piegas, do cineasta que esteve no Pará filmando “Floresta de Esmeraldas”. (Com assessoria)
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Sessão Cult apresenta “Inferno no Pacífico”, de John Boorman. Neste sábado, 07, às 16h, no Cine Líbero Luxardo - Centur (Av. Gentil Bittencourt, 650). Entrada franca. Classificação indicativa: 14 anos. Após o filme, debate entre o público e membros da Associação de Críticos de Cinema do Pará. (Diário do Pará)
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