Há algumas semanas, Diego Borges, 28 anos, vem evitando a acessar a internet e ler revistas. Com a estreia do filme “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge” prevista para a próxima sexta-feira, 27, o publicitário lança mão da estratégia para evitar se deparar com algum spoiler (texto que revela fatos cruciais de uma obra).
“Já não estou vendo mais nada, já vi o suficiente. Ainda mais levando em consideração que o filme vai estrear no Brasil com uma semana de atraso em relação aos Estados Unidos. Além disso, trabalho com quadrinhos, então toda hora vem algum cliente comentar algum detalhe. Está tudo conspirando contra, mas não quero estragar a surpresa”, conta o fã que, atualmente, atua do outro lado do balcão da banca de revistas: é proprietário de uma loja dedicada a quadrinhos, a Multiverso, no bairro da Batista Campos, em Belém.
Desde a infância, ele tem o homem-morcego como um modelo a ser seguido. As aventuras do personagem inspiraram o típico garoto nerd – em suas palavras: “com óculos ‘fundo de garrafa’, gordinho e alvo de bullying nos tempos de escola”- a tentar sempre superar seus problemas.
“Ele é um cara que carrega um trauma, presenciou a morte dos pais quando era criança e isso lhe deu motivação para lutar pelo que é certo. É um personagem cheio de dúvidas, ambiguidades. E é um super-herói sem poderes. Os filmes do [diretor Christopher] Nolan souberam aproveitar essa carga dramática do
personagem muito bem, fez com que a gente se importasse com o que pode acontecer. Estou apreensivo pelo próximo filme, algo me diz
que não vai ser um final feliz”, especula.
Anunciado como último filme da trilogia dirigida por Nolan, “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, começa oito anos depois do fim de “Batman: O Cavaleiro das Trevas” (2008), no qual o herói é acusado do assassinato do promotor Harvey Dent (Aaron Eckhart).
Aposentado desde então, Batman (Christian Bale) é forçado a sair do esconderijo quando os vilões Mulher-Gato (Anne Hathaway) e um terrorista chamado Bane (Tom Hardy) aterrorizam a cidade de Gotam City.
De acordo com o jornalista Marcelo Furlani, diretor de audiovisual e editor do site Omelete, especializado em entretenimento, a versão do diretor britânico para o super-herói ganhou elogios de fãs e críticos, justamente por não se importar em assumir riscos. “Basta dar uma olhada no mais recente filme da série, ‘O Cavaleiro das Trevas’. Nele, Nolan fez um filme violento e soturno, não um comercial pra vender brinquedos, como a maioria dos filmes de super-heróis. Apresentou um dos psicopatas mais carismáticos do cinema, o Coringa de Heath Ledger, além de matar a mocinha no final”, aponta.
Os números comprovam que a ousadia valeu a pena. O primeiro filme arrecadou 372 milhões dólares nas bilheterias mundiais, e o segundo, 1 bilhão de dólares. “Isso garantiu carta branca para o diretor fazer o que quiser”, explica o jornalista.
Feito para impressionar
O novo longa dura 2h45, algo perigoso se considerarmos o lucro do final de semana de estreia, já que diminui o número de sessões diárias. Outra exigência do diretor acatada pelo estúdio Warner Brothers foi não rodar o filme em 3D ou permitir a sua transferência para o formato, optando pelo Imax. Apesar de a tecnologia produzir imagens muito maiores e melhor resolução do que os sistemas convencionais de exibição de filmes, o Imax só conta com meia dúzia de salas no Brasil, por exemplo. Nenhuma delas em Belém.Esse “controle de 200%” sob a produção do diretor, como define Furlani, ele pôde comprovar de perto durante uma visita ao set do filme, na cidade de Pittsburgh, nos EUA. A viagem aconteceu em agosto do ano passado, a convite do estúdio e envolveu as filmagens da cena em que Bane explode o estádio Gotham City Rogues durante um jogo de futebol americano, que abre os trailers do filme. “A cena envolvia 12 mil pessoas e contou com uma sucessão de 55 explosões, reduzindo o campo a uma enorme cratera, criada com a ajuda de plataformas hidráulicas embaixo do chão. Do alto da sala em que estávamos, podíamos ver o Christopher Nolan andando pra lá e pra cá de bermuda e chapéu de pescador no estádio, controlando cada aspecto da cena. Este é outro diferencial do diretor que gosta de usar efeitos reais, ao invés de gerados por computador”, descreve. Adeus ao palhaço psicóticoA boa arrecadação de filmes como “Os Vingadores” acirra uma espécie de rivalidade entre os fãs do gênero. Lançado cerca de três meses, as vendas globais do filme sobre uma equipe de super-heróis da Marvel ultrapassou 1,6 bilhão de dólares no mundo desde sua estreia, de acordo com a distribuidora Walt Disney, tornando-se o terceiro filme de maior bilheteria da história. Mas na opinião do jornalista Sidney Gusman, diretor de planejamento Editorial da Maurício de Sousa Produções e autor do livro “100 Respostas sobre Batman”(Editora Abril, 2005), Batman só concorre consigo mesmo nos cinemas.“Muita gente pede para eu tomar partido. Quem é vai ser melhor: Batman ou Vingadores? Eu acho que fica até difícil comparar os dois filmes, apesar dos Vingadores ser uma ótima adaptação de quadrinhos, com ação, humor. Não encaro Batman como uma adaptação de quadrinhos. Se ao invés do Batman e Coringa, os protagonistas do ‘Cavaleiro das Trevas’ fossem substituídos por um policial e um psicopata, acho que o público ainda compraria a história. Nolan faz filmes verossímeis. Se o novo filme do Batman tiver que concorrer com alguém seria com o próprio ‘Cavaleiro das Trevas’”, avalia.O segundo filme da série foi marcado pela figura de Coringa, personagem interpretado por Heath Ledger, que faleceu poucos meses antes da estreia de ‘O Cavaleiro das Trevas’ e recebeu um Oscar póstumo por sua interpretação. O diretor já garantiu em entrevistas que o personagem não deve fazer parte do próximo longa, em respeito à memória do ator.
ENTRA E SAI
Agora a mais icônica figura da galeria de vilões do herói dá lugar a um inimigo obscuro, o mascarado Bane, criado pela DC a reboque do sucesso de vendas das publicações da saga sobre a morte do Super-Homem. “Nolan trouxe um vilão que é o Bane, que deu início à saga “A Queda do Morcego”, na década de 90, que culmina com o Batman paralítico após um confronto com o inimigo. Algumas imagens da produção mostram um Batman incapacitado, o que pode indicar que ele siga essa linha. Apesar da tragédia, não pensei que o Coringa voltaria nesse novo filme. Acho que o diretor desde o início tinha em mente um desfecho épico para a trilogia”, avalia.Segundo Gusman, quando Christopher Nolan foi chamado para trabalhar com o universo do Homem-morcego, a franquia estava à beira da morte em consequência das versões espalhafatosas que o diretor Joel Schumacher fez nos títulos “Batman Eternamente” e “Batman & Robin”.Em “Batman Begins”, primeiro filme da série de 2005, Nolan estabeleceu o tom realista de sua visão para o personagem, visão esta que acabou influenciando toda uma leva de filmes. “Filmes baseados em quadrinhos violentos e de tom adulto, como “Kick Ass” (2010) se tornaram uma realidade graças ao Batman. O novo Homem-Aranha também é um desdobramento disso. Os filmes da Marvel sempre foram mais fantasiosos, com poderes surpreendentes, ação mirabolante. Mas o Homem-Aranha tem como contraponto Peter Parker, esse adolescente que além de combater o crime, tem que lidar com escola, o primeiro amor. O novo filme do Aranha deu um tom mais sombrio ao personagem, inclusive”, afirma o jornalista. De olho no mercado Mesmo antes de estrear o desfecho da trilogia mais recente de Batman, já se especulava que Christopher Nolan pudesse comandar a produção da Liga da Justiça, filme baseado no time de super-heróis da DC Comics, que tem o homem-morcego como um dos integrantes. Os rumores foram negados pelo diretor, que no entanto assumiu a produção executiva da nova adaptação do Super-Homem para os cinemas, dirigida por Zack Snyder, de “300”.“Ele gosta de experimentar, entre cada Batman faz um filme autoral no meio - como “A Origem” seu filme vencedor do Oscar em 2010. Então, ele afirmou que não quis ficar preso a um projeto. Mas a versão dele do Batman já é um marco. Tanto que se especula que o ‘reboot’ do Batman não seria como filme, mas como coadjuvante dos outros heróis do grupo, como o Super-Homem. Acho que a Liga da Justiça vai trazer um Batman mais heroico, menos real. Pode ser que dê certo um filme da Liga da Justiça. Mas acho difícil bater os Vingadores na bilheteria”, adianta o publicitário Vinícius Passos, editor do site paraense de cultura pop “Sem Grana”, demonstrando que o mercado continua sendo o inimigo mais assustador do herói. GALERIA DE VILÕES“Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge” (estreia prevista para 27 deste mês)> Bane (Tom Hardy)Bane foi criado nos quadrinhos em 1993, como protagonista da saga “A Queda do Morcego”. Nas HQs, o supervilão mascarado e bombado é alimentado por uma droga que aumenta sua força. Para o filme, a máscara que cobre o seu rosto libera um gás analgésico. > Selina Kyle/ Mulher Gato (Anne Hathaway). A personagem que ficou marcada para o público na figura da sexy Michelle Pfeiffer na produção “Batman Returns”, dirigida por Tim Burton, é reencarnada mais uma vez na pele de Anne Hathaway. A Mulher Gato será o estopim para que o playboy Bruce Wayne saia de sua reclusão e assuma mais uma vez a mascará de Batman.
“Batman: O Cavaleiro das Trevas” (2008)> Coringa (Heath Ledger)Ledger, que interpreta o personagem anteriormente feito por Jack Nicholson em Batman (1989), também do diretor Tim Burton, faleceu poucos meses antes da estreia de ‘O Cavaleiro das Trevas’ e recebeu um Oscar póstumo de melhor ator coadjuvante por sua interpretação. Na pele do palhaço psciótico com um eterno sorriso talhado no rosto, Ledger é imprevisível, manipulador, sempre ameaçador e frequentemente engraçado.> Harvey Dent/ Duas Caras (Aaron Eckhart)Após defender a lei e ordem como promotor público de Gotham City, Harvey Dent torna-se um assassino, devido a um ataque do Coringa que desconfigurou parte de seu rosto. Batman e o Comissário Gordon (Gary Oldman) decidem omitir que Harvey Dent tornou-se Duas Caras, para fazer do promotor público um herói póstumo para a população. Este é o ponto de partida da narrativa do novo filme.
“Batman Begins” (2005)> Henri Ducard/ Ra’s Al Ghul (Liam Neeson)A história relembra o assassinato dos pais de Bruce Wayne e como ele se transformou no vigilante noturno. No filme, Gotham é uma cidade tomada pela corrupção e comandada pela máfia, que é liderada pelo criminoso Carmine Falcone (Tom Wilkinson). Em sua busca por vingança contra os criminosos, o milionário Bruce Wayne acaba sendo treinado por Ra’s Al Ghul.> Dr. Jonathan Crane/ Espantalho (Cillian Murphy ) O psicofarmacologista que trabalha no Asilo Arkham desenvolveu uma toxina que induz medo. Ele assume a pessoa do mascarado Espantalho durante seus experimentos e se alia a Ra’s Al Ghul em um ataque a Gotham. O vilão ressurge em uma ponta durante a sequência “O Cavaleio das Trevas”. AFINAL, O CORINGA VAI OU NÃO VAI FAZER FALTA? Luiz Armando Viana, 23 anos, Jornalista “Não vejo problema em não ter o Coringa nesse filme, principalmente porque não tem como outra pessoa fazer o papel da mesma maneira que o Heath Ledger. O Batman tem uma galeria de vilões enorme e que pode ser explorada, é isso que estão fazendo. E acho espetacular a história variar sempre os antagonistas do herói, pois assim ela não cai na mesmice”. Tarcísio Gabriel, 18 anos, Estudante de artes visuais. “Nolan reinventou o Batman. Seria muito bom se o Coringa pudesse reaparecer, mas na trilogia do Nolan, não existe ninguém melhor que Heath Ledger para interpretar o vilão. É isso que torna o filme melhor do que ele já é. A história foi contada de forma espetacular com interpretações excelentes. É, sem dúvida, o filme mais esperado do ano”. Maick Costa, 26 anos, Administrador .“A expectativa para o filme é que seja, se não o melhor, um dos melhores filmes do ano. Nolan criou uma aura em torno do filme muito amarrada. A ausência do Coringa poderia ser ponto negativo, mas foi escolhido um vilão que realmente machuca o Batman nas HQs. E os teasers lançados até agora mostram um possível futuro para a história do Homem-morcego, com outro ator”.Raphael Pinheiro, 29 anos advogado.
“O diretor Christopher Nolan soube trabalhar bem tanto o lado sombrio quanto humano do personagem, mantendo-o tão verossímil quanto possível. E conseguiu isso apoiado em bons roteiros e um elenco muito bem escalado. Sobre o Coringa, não havia como escalar um novo ator depois do Coringa definitivo de Heath Ledger. E ainda há muitas histórias para serem contadas sem ele!” Ingrid Bittencourt, 20 anos Estudante de publicidade e propaganda.
“A expectativa é sempre grande quando o assunto é Batman. Espero um grande espetáculo para a conclusão da trilogia. Desta vez não contamos com o Coringa, mas o Homem-morcego tem outros grandes inimigos, no caso, em ‘O Cavaleiro das Trevas Ressurge’, ele terá que lidar com Bane, que talvez não consiga superar o Coringa, mas com certeza será bem marcante”.
(Diário do Pará)
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