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CINEMA

Diretor de 'Febre do Rato' conversa com o público

Neste domingo (26), o Cine Estação das Docas recebe o diretor pernambucano Cláudio Assis para um bate-papo com o público sobre seu último trabalho: “Febre do Rato”. A conversa, aberta ao público, tem início logo após a sessão matinal das 10h, com presença

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Neste domingo (26), o Cine Estação das Docas recebe o diretor pernambucano Cláudio Assis para um bate-papo com o público sobre seu último trabalho: “Febre do Rato”. A conversa, aberta ao público, tem início logo após a sessão matinal das 10h, com presença de alunos de Curso de Cinema da UFPa, Associação de Críticos de Cinema do Pará, Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas, jornalistas, cineastas, cinéfilos e o público em geral. Às 20h30, o Cine Estação das Docas apresenta a última exibição em Belém do filme “Febre do Rato”.

Antes, no sábado (25), às 19h, Cláudio Assis, como presidente da Associação de Produtores de Cinema do Norte e Nordeste, participa de uma exibição de filmes paraenses no Sesc Boulevard, e conversa com realizadores locais. Na ocasião, a Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas do Pará (ABDeC-Pará) irá lançar a primeira edição do evento intitulado Bagacine, além da apresentação da nova diretoria e a data da próxima assembleia.

Esta é a segunda vez que Cláudio Assis vem a Belém. Ele começou sua carreira como ator e cineclubista em Caruaru, Pernambuco. Estreou na direção de curtas em 1987 com “Padre Henrique – Um Assassinato Político”, rodado em 16 mm. Seguiram-se os curtas “Soneto do Desmantelo Blue” (1993), “Viva o Cinema” (1996) e Texas Hotel (1999). Estreia na direção de longas com “Amarelo Manga” (2002), exibido em Belém no Circuito Cinearte, reunindo um grande elenco (Matheus Nachtergaele, Jonas Bloch, Leona Cavalli e Dira Paes). O filme foi premiado nos Festivais de Berlim, Toulouse e Havana.

Quatro anos depois, seu segundo longa-metragem, “Baixio das Bestas” (2006), exibido no Cine Estação das Docas, faz um retrato sem concessões do machismo e da violência sexual na Zona da Mata pernambucana. Foi o primeiro filme brasileiro a vencer o Tiger Award no Festival de Roterdã, e também premiado nos festivais de cinema brasileiro de Miami e Paris.

“Febre do Rato”, seu terceiro longa, é o primeiro rodado em preto e branco e venceu oito prêmios no Festival de Paulínia: filme pelo júri oficial, prêmio da crítica, ator (Irandhir Santos), atriz (Nanda Costa), fotografia (Walter Carvalho), montagem (Karen Harley), direção de arte (Renata Pinheiro) e trilha sonora (Jorge Du Peixe). Para Assis, “Febre do Rato” é um filme anarquista, na possibilidade de não seguir regras, não seguir o padrão de cinema com fórmula de folhetim das telenovelas, assim como as normas dos editais. Durante o lançamento do filme no Festival de Paulínia, o cineasta declarou: “Eu faço um cinema sem compromisso. Faço um filme de ideias, que provoque para fazer pensar”. Sobre a decisão de filmar em preto e branco, garante que foi tomada por toda equipe. O preto-e-branco mostra um Recife que não necessariamente é o Recife de hoje.

“Febre do Rato” é marcado pela poesia, seja das imagens, seja dos textos disparados pelo poeta Zizo, interpretado por Irandhyr Santos. A relação do cineasta com a poesia remete a adolescência, quando se vestia com uma camisa rendada amarela imitando o poeta russo Maiakovski (1893-1930). O segundo curta-metragem “Soneto do Desmantelo Blue” (1993), centra o foco no poeta pernambucano Carlos Pena Filho, conhecido como o poeta da cor, contemporâneo de Drummond e Jorge Amado, que morreu com 30 anos de idade num acidente de carro. “O poeta pode tudo. Na poesia se pode ter quarta ou quinta idade – existe sexo em tudo!”.

Um dos pontos altos de “Febre do Rato” é a prática do sexo com mulheres velhas, quebrando o tabu de um tema usualmente reservado a personagens jovens, mesmo na cinematografia nacional, onde a vida sexual depois dos 60, 70 anos parece não existir. Depois de “Febre do Rato”, Cláudio Assis irá se concentrar em um roteiro escrito em parceria com a diretora Anna Muylaert: Piedade, nome de uma praia em Recife. É uma história sobre o mar invadindo a terra e do homem invadindo o mar. Uma história forte que envolve petróleo, tubarões e relações humanas.

A presença de Cláudio Assis para falar de sua obra cinematográfica na Estação das Docas é uma ação da Secretaria de Estado de Cultura (Secult) em parceria com a Organização Social Pará 2000 e com a ABDeC-PA.

SERVIÇO

Febre do Rato. Direção: Cláudio Assis. 110 min, P&B, 18 anos. Com Irandhir Santos, Matheus Nachtergaele, Juliano Cazarré e Ângela Leal. Exibição neste domingo (26), no Cine Estação. Ingressos: R$ 8 (com meia-entrada para estudantes). Realização: OS Pará 2000 e Secult

26/08 (domingo)

10h - Sessão com o filme "Febre do Rato". Após a exibição, bate-papo aberto ao público com o diretor do filme.

20h30 - Última exibição de "Febre do Rato".

(Agência Pará)

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