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CINEMA

Cineclube exibe "Amarga Esperança" nesta terça

Iniciando mais um ciclo da programação dedicada a homenagear grandes cineastas, a Associação de Críticos de Cinema do Pará exibe nesta terça-feira, no Cineclube da Casa da Linguagem, “Amarga Esperança”, uma lírica obra sobre um casal de amantes em fuga qu

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Iniciando mais um ciclo da programação dedicada a homenagear grandes cineastas, a Associação de Críticos de Cinema do Pará exibe nesta terça-feira, no Cineclube da Casa da Linguagem, “Amarga Esperança”, uma lírica obra sobre um casal de amantes em fuga que foi o trabalho de estreia do hoje cultuado Nicholas Ray.

No filme de 1948, três detentos fogem de uma prisão no Mississipi. Entre eles está Bowie (Farley Granger) que havia sido condenado a pena perpétua. Com seus colegas, comete um assalto a um banco com requintes de violencia e acaba ficando conhecido como "Bowie The Kid". Mas o jovem sonha em ter uma vida normal, principalmente depois que se apaixona pela sobrinha de um de seus comparsas, a ingenua Kicchie (Cathy O'Donnell).

Fugindo do passado que tenta não o deixar impune, Bowie quer provar sua inocência, mas ao mesmo tempo passa a ser considerado uma ameaça para a sociedade e é perseguido pelos policiais. Ele convence Kicchie a fugir mesmo sem ter certeza se é isso que deve fazer. Apesar da forma como faz questão de não esconder o obvio – o trágico final do casal – Nicholas Ray dirige com segurança “Amarga Esperança”, entregando boas referencias cinematográficas (como nas expressões que lembra “Aurora”, na cena em que Kicchie e Bowie se encontram no celeiro) e focando nos tipos marginalizados como heróis.

No seu próximo filme, dirigiria Humphrey Bogart como um roteirista perturbado que era acusado de haver cometido um crime (“No Silêncio da Noite”), para em “Cinzas que Queimam”, colocar Robert Ryan como um policial amargo que resolve ‘chutar o balde’ e três anos depois, dirigir o libelo ao feminismo que é “Johnny Guitar”.

É na figura oscilante de Bowie é que já se via o embrião para Jim Stark, personagem que tornaria James Dean imortal em “Juventude Transviada”, talvez o filme mais simbólico de Ray. A música orquestrada por Leigh Harline auxilia na ambiência de filme noir e compõem muito bem com as imagens dramáticas de luz e sombras que permeiam “Amarga Esperança” em particular quando Bowie e Kicchie empreendem a fuga. É peculiar a maneira como Godard – que idolatrava o americano e dizia que ele era ‘ a expressão pura do cinema’ - utiliza algumas cenas do seu “Acossado” para certamente prestar homenagem a essa obra que, apesar de não ter envelhecido tão bem, já traz muito do forte estilo de Nick Ray.

Nitidamente afetado pelo desencanto e pelo ambiente em que vivem, os personagens de Ray passam a ter momentos de extrema agressividade em confluência com atos amorosos. O cinema visceral e frenético dele, que expunha tão bem os conflitos emocionais de jovens ou adultos abandonados, não fascinou a crítica norte-americana, mas encantou os então jovens críticos da revista Cahiers du Cinéma, que trataram de classificá-lo como o mais importante cineasta do pós-guerra.

Assista: Sessão ACCPA/CPV apresenta “Amarga Esperança”, de Nicholas Ray. Nesta terça, 11 de setembro, às 18h no Cineclube da Casa da Linguagem (Avenida Nazaré, 31 – esquina com a Travessa Assis de Vasconcelos). Entrada Franca. Após a exibição, debate entre os críticos da ACCPA e o público. (DOL, com informações da ACCPA)

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