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CINEMA

Nelson Rodrigues é tema de bate-papo em Festival

Desde que estreou, no último dia 22 de setembro, a Mostra Rodrigueana de Cinema exibe filmes baseados na rica obra do escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues. Nesta quinta-feira (27), além de apresentar “A vida como ela é”, na versão do diretor Daniel Filh

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Desde que estreou, no último dia 22 de setembro, a Mostra Rodrigueana de Cinema exibe filmes baseados na rica obra do escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues. Nesta quinta-feira (27), além de apresentar “A vida como ela é”, na versão do diretor Daniel Filho para as telas, o Amazônia Doc promove um bate-papo com pesquisadores e estudiosos de cinema e das influências de Nelson na produção nacional durante o “Conversas Rodrigueanas”. A entrada é franca.

A mostra é uma homenagem do Festival Pan-Amazônico de Cinema, o Amazônia Doc, ao centenário do autor, que ocupa o auditório do Instituto de Artes do Pará com produções da década de 60 até os anos 2000.

O debate começa logo depois dos episódios “O anjo” e “O decote”, de “A vida como ela é”. O filme de 1996, baseado no livro homônimo de Nelson, mostra no episódio “O anjo” a noite de noivado de Dagmar e Geraldo. Na festa, a noiva decreta um pacto. Se a traição é inevitável à relação, que não fosse com amigas, vizinhas, nem com sua irmã, Alicinha, que em breve se transformaria em um mulherão. Marcava-se ali o início de um tórrido triângulo. Todos reféns de prazeres e egos. Atração e ódio. Anjo ou demônio, quem é quem nesta história?

Em “O decote”, conhecemos Clara e Aderbal, que se casaram há quinze anos. Entretanto, aos quinze dias, o casamento apaixonado acabou e passou a se arrastar desde então. O motivo das aparências foi o que restou da união: a filha. Por ela, ou melhor, pelo amor dela a mãe, Aderbal é capaz de enxergar na adúltera, uma santa. Em cena, está ainda dona Margarida, a mãe à moda antiga do filho traído. O gatilho. Por trás, os amigos. E de frente, o decote.

Marco Antonio Moreira, presidente da Associação de Críticos de Cinema do Pará (ACCPA) é quem media as conversas sobre Nelson Rodrigues. O evento terá a participação do psicanalista Manoel Leite Jr e dos professores Joel Cardoso e Luiz Guilherme. E eles vão discutir, analisar e compartilhar um pouco da trajetória dos trabalhos do dramaturgo para o cinema.

“Algumas transposições foram felizes, outras nem tanto. O mercado se aproveitou de uma ebulição do erotismo que tomou conta do cinema na década de 80. Mas nem por isso deixam de ser obras interessantes”, pondera Joel Cardoso, pós-doutor em Artes (Literatura e Cinema), autor de uma pesquisa de doutorado sobre Nelson, onde avalia filmes de 1950 a 2000. O resultado é a tese “Nelson Rodrigues: da palavra à imagem”. “São 50 anos de cinema em 22 filmes”, resume.

A Mostra Rodrigueana de Cinema integra a programação do Amazônia DOC, que faz parte da Feira Pan-Amazônica do Livro. Outras duas mostras ocorrem na cidade, a competitiva (Estação das Docas) e de cinema Português (Sala Belém, no Hangar). O festival tem patrocínio do Governo do Pará, via Secult, apoio cultural do Estúdio Ovelha Negra, Fox Vídeo, Distribuidora Estrela do Norte e Colégio Ideal.

SERVIÇO

Conversas Rodrigueanas, nesta quinta-feira (27), às 20h30. Mostra Rodrigueana, às 19h30. No Cineclube Alexandrino Moreira (Instituto de Artes do Pará), ao lado da Basílica de Nazaré. Entrada franca.

(DOL, com informações da assessoria)

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