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CINEMA

A fugacidade da vida em "A Igualdade é Branca"

Em oposição a melancolia e um quê de morbidez presentes em “A Liberdade é Azul”, primeiro filme da Trilogia das Cores, Kieslowski faz de “A Igualdade é Branca” um tratado sobre a leveza e a fugacidade da vida. Talvez seu filme mais otimista, essa obra que

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Em oposição a melancolia e um quê de morbidez presentes em “A Liberdade é Azul”, primeiro filme da Trilogia das Cores, Kieslowski faz de “A Igualdade é Branca” um tratado sobre a leveza e a fugacidade da vida. Talvez seu filme mais otimista, essa obra que dá segmento ao projeto que retrata, através das cores a bandeira francesa a nossa essência, será exibida na segunda-feira (5) no Cineclube Alexandrino Moreira.

O cineasta polonês projetou nessa segunda parte que a sensibilidade pode dar vazão a momentos bem humorados, quando se trata dos encontros e desencontros do polaco Karol (Zbigniew Zamachowski) com sua ex, a francesa Dominique (Julie Delpy). Ele é obcecado pela mulher e resolve mendigar após ser deixado por ela.

Piedosa, Dominique tenta ajudar o ex, já que este nunca se habitou em Paris nem possui qualquer amigo. Karol acaba voltando para a Polônia e lá maquina uma vingança contra ela. Interessante observar que as personagens dos filmes participam, em pequenos papéis, como o caso de Julie (Juliette Binoche), que interage com Dominique numa cena de “A Igualdade é Branca” – e por sua vez, Dominique passeia pelo clube que Julie freqüenta em “A Liberdade é Azul”.

Talvez esse seja o filme mais irregular da trilogia e o sentido da palavra não seja fácil de interpretar dentro da história de Karol e Dominique. Quando ele vai para a Polônia sem nada, já que perdeu tudo na partilha de bens, acaba virando segurança particular de um mafioso local e aí começa a sua virada. Ele passa a perna no mafioso e consegue ficar rico depois de vender uns terrenos, e aí consegue meios para arquitetar a vingança contra a ex.

Karol, que era imigrante e se sentia desprezado em Paris, passou a se achar igual a mulher, pois era um próspero empresário em seu pais. Ou ainda no caso da igualdade de gênero, pois o divorcio vem pela falta de sexo que deixa Dominique insatisfeita com o casamento, já que Karol é impotente.

O desfecho tocante dá arrimo para que o cineasta produza o que seja talvez, o filme mais coeso dos três, “A Fraternidade é Vermelha”. Sob várias óticas essa ‘comédia de costumes’ de Kieslowski pode ser observada, reiterando ainda que os filmes da trilogia formam perfeitas histórias individuais, mas que, se vistas juntas, podem formar um panorama muito loquaz sobre a própria condição humana.

SERVIÇO: Sessão ACCPA/IAP apresenta “A Liberdade é Azul”, de Krzysztof Kieslowski. Nesta segunda, 22 de setembro, às 19h no Cineclube Alexandrino Moreira. Endereço: Instituto de Artes do Pará (Praça Justo Chermont, 216 – ao lado da Basílica de Nazaré). Entrada Franca. Após a exibição, debate entre os críticos da ACCPA e o público.

(DOL, com informações da assessoria/ACCPA)

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