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CINEMA

Poesia cinematográfica na Cidade-luz

Paris, 1830. O Boulevard du Temple é o local dos teatros, dos cabarés e da vida boêmia da capital francesa. É neste cenário que desenrola o tumultuado triângulo amoroso formado pelo mímico Baptiste, a atriz Garance e o ator Lemaitre. Filme-símbolo d

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Paris, 1830. O Boulevard du Temple é o local dos teatros, dos cabarés e da vida boêmia da capital francesa. É neste cenário que desenrola o tumultuado triângulo amoroso formado pelo mímico Baptiste, a atriz Garance e o ator Lemaitre. Filme-símbolo do realismo poético, “O Boulevard do Crime”, de Marcel Carné, será exibido hoje, na Casa da Linguagem, pela Associação de Críticos de Cinema do Pará.

Principal corrente estética do cinema francês nas décadas de 30 e 40, o realismo poético fez florescer o talento do cineasta Marcel Carné, que em colaboração com o poeta Jacques Prévert, realizou grandes obras como “Cais das Sombas”, “Trágico Amanhecer” e “O Boulevard do Crime”. Realizado em 1945, o ‘Boulevard’ foi eleito o maior filme francês do século XX, em votação que reuniu críticos, cineastas, atores e intelectuais franceses.

A história romântica e trágica mostra Garance (Arletty) divida entre o amor de Fréderick Lemaitre (Pierre Brasseur) e a devoção de Baptiste (Jean-Louis Barrault). Elel, que trabalha como mímico, é o personagem mais fascinante da obra. Carregado de uma emoção que ultrapassa qualquer necessidade de fala, Baptiste cresceu como o menino mudo e sonhador, que enxerga o mundo de maneira onírica e busca a perfeição, que acredita haver encontrado em Garance.

A saga inicia em 1828, no período pós Bonaparte. O triângulo, na verdade, é um quadrangulo quando entre em cena o escrivão Lacenaire (Marcel Herrand ), o vilão da história. Frio, Lacenaire é um homem que não encontra compreensão no mundo que o cerca. Acha-se superior a tudo que o rodeia e não se importa com nada. É o contraponto à doçura de Baptiste.

De todo jeito, Baptiste e Garance são dois marionetes, jogados ao meio de toda uma gama de complicados e maldosos personagens do universo teatral e mundano de então. São manipulados por estes e pelo destino que os separa.

Todo rodado em estúdio, o filme de propósito confunde a vida real e a teatral, dentro daquele princípio shakespeariano de que o mundo é um palco.

A segunda parte de “O Boulevard do Crime” serÁ exibida na próxima terça-feira, dia 13, no mesmo horário.


SERVIÇO:

Sessão ACCPA/CPV apresenta “O Boulevard do Crime - parte 1”, de Marcel Carné. Hoje, às 18h, no Cineclube da Casa da Linguagem (Avenida Nazaré, 31 – esquina com a Travessa Assis de Vasconcelos). Entrada Franca.

(Diário do Pará, com informações da Assessoria/ACCPA)

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