Um drama policial sobre racismo, em plenos anos 60. Dirigido por Norman Jewison, um cineasta que nunca se desviou de temas arenosos – anos mais tarde, ele dirigiria Al Pacino no filme de tribunal sobre um crime de estupro “Justiça para Todos” -, como em “No Calor da Noite”, em exibição neste domingo, na sessão Cinemateca do Cine Olympia.
Realizado pouco tempo depois das leis segregacionistas terem sido extintas nos Estados Unidos, é um filme corajoso e conservador na medida, como a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas sempre apreciou. Conta a história de Virgil Tibbs (Sidney Poitier), que, ao chegar até a cidadezinha de Sparta, no Mississipi, é preso como suspeito do assassinato de um empresário local.
O xerife Bill Gillespie (Rod Steiger) descobre que Virgil é um detetive da polícia da Filadélfia, que visitava sua família. Expert em homicídios, Virgil recebe ordens superiores de auxiliar no caso, o que desagrada Bill. Para deixar mais tensa a situação Leslie Colbert (Lee Grant), a viúva da vitima, vê a ineficiência da polícia de Sparta e exige a presença de Virgil. Gillespie, racista, odeia a idéia, mas há uma grande pressão para o caso ser solucionado. Aos poucos, vai surgindo um respeito entre eles, mas um detetive negro envolvido em uma investigação numa região muita racista pode ser um barril de pólvora prestes a estourar.
Sidney Poitier, o primeiro ator a ganhar um Oscar, viveu seu auge com esse filme e com o também engajado , “Adivinhe Quem Vem para Jantar”, de Stanley Kramer, pelo qual ganhou a estatueta dourada. Apenas cinco anos após ter estreado na direção, o fato de “No Calor da Noite” ter saído como o grande vencedor da festa do Oscar de 1968, com cinco prêmios, representou uma guinada na carreira de Norman Jewison. No total, foram 22 prêmios e 12 outras indicações para o filme, inclusive os Bafta para melhor direção e ator não britânico para Rod Steiger, mais os Globos de Ouro na categoria drama para melhor filme, ator para Steiger e roteiro.
Engajamento político - Jewison é mais conhecido por haver dirigido “Jesus Cristo Superstar”, o épico da Broadway que mostra um Jesus cristo hippie em conflito com romanos políticos que é traído por um Judas negro. Mas, esse canadense sempre demonstrou preocupações com causas políticas e sociais e direcionou, na medida do possível, sua carreira nessa direção, mesmo regularmente tendo enfrentado dificuldades em distribuir os filmes ou comunicar-se com um público mais amplo.
SERVIÇO:
Sessão Cinemateca apresenta “No Calor da Noite”, de Norman Jewison. No domingo, dia 25, às 16h, no Cine Olympia (Av. Presidente Vargas, 978 - Campina). Entrada Franca. Inadequado para menores de 12 anos.
(DOL, com informações da assessoria/ACCPA)
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