Encerrando a programação do ano no IAP, a Associação de Críticos de Cinema do Pará exibe hoje no Cineclube Alexandrino Moreira “O Sacrifício”, de Andrei Tarkovski.
Andrei Arsenevitch Tarkovskij (nome no idioma russo), voltou-se para o seu próprio passado, numa culminância da sua natureza humana com a de criador, em “O Espelho”. Com uma sensibilidade latente desde pequeno, nesse filme compreendeu bem jovem a complexidade e as possibilidades que aquela expressão artística denominada cinema lhe possibilitava. Mais velho e um tanto desgostoso com a existência e principalmente com o ser humano, ele criou o argumento de “O Sacrifício”.
Nele, uma família sueca celebra o aniversário do patriarca Alexander (Erland Josephson, ator ‘bergmaniano’), escritor e ator aposentado. Esta celebração será marcada para o resto da vida de cada membro da família: na televisão anuncia-se uma catástrofe nuclear, uma provável terceira guerra mundial. A crise familiar é alimentada pelo desespero, dúvida, angústia física e moral de cada um.
De pai para filho – A relação de Alexander com o ‘pequeno homenzinho’ (termo com o qual se refere ao filho caçula) é bastante explorada por Tarkovski, que acaba homenageando o próprio filho com a elegia paterna cujas lições extraídas da experiência que são repassadas para o ‘fruto’ são simbolizadas na árvore que, frágil e moribunda, permeia o desenvolvimento narrativo da obra.
BASTIDORES
Tarkovski iniciou o filme sabendo por qual caminho seguir, e pouco mais de 20 dias após finalizá-lo, morreu, numa noite fria em Paris, em dezembro de 1986, vítima de câncer.
(Diário do Pará)
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