Um registro em áudio e vídeo da memória afetiva dos fazedores de cultura do município de Baião. A proposta é do artista Stéphano Paixão que produziu, roteirizou e dirigiu o documentário “Velhos Baionaras, Tesouros Vivos”. A realização foi possível graças à bolsa de experimentação, pesquisa e divulgação artística edição 2012 do Instituto de Artes do Pará (IAP) que exibe o longa hoje, às 19 horas, na sede localizada ao lado da Basílica Santuário de Nazaré com entrada franca.
Segundo Stéphano, o documentário é um recorte poético-visual da memória afetiva e popular da cidade Baião, no Pará, através de depoimentos daqueles que muito já contribuíram ou ainda contribuem para a construção da identidade local. “A obra celebra os 318 anos desta cidade localizada na região do Baixo Tocantins, através da beleza, emoção, dor, esperança e leveza das cinco biografias escolhidas para contar a história popular de um povo ímpar. São verdadeiros mestres que têm muito a ensinar”, explica.
“Em Baião, a cultura foi muito mal tratada. Está prestes a cair no esquecimento”, preocupa-se Stéphano. Na tentativa de resgatar e preservar as características locais, ele iniciou um trabalho de pesquisa que resultou na peça teatral Contadores Aluados e sua Carroça de Estrelas, que explorava as histórias de vida dos mesmos personagens que hoje compõem o documentário. “Realizamos temporadas nas cidades de Baião, Belém e foi premiado no Festival Estudantil de Teatro de Belo Horizonte (Feto) em 2011. Este documentário é um desdobramento do espetáculo, estou muito feliz em realizar estas homenagens à cultura de Baião”, ressalta o diretor.
O realizador do documentário é natural da localidade e desde cedo se inquietava com a falta de reconhecimento e pertencimento do povo de Baião com a própria cultura. “Sempre vejo pessoas de Santarém, Bragança e outros municípios falarem de sua arte, sua cultura, com orgulho. Por que não podemos ter isso por aqui? Depende de nós garantir essa valorização”, conta. Para ele, gravar o material foi uma corrida contra o tempo. “São pessoas bem idosas que guardam consigo fazeres culturais genuínos que poderiam se perder na memória ou ir com eles para o outro lado”, justifica.
Carreira
Stéfano é Assistente Social, Ator, Arte Educador, Diretor. Formou-se em Serviço Social pela Universidade da Amazônia onde fez teatro por oito anos. Especializou-se em Arte-Educação pela PUC-Minas Gerais. Passou pelo grupo Palha de Teatro e ao lado de amigos saiu para fundar o Grupo Verbus: a poesia se fez carne, unindo música, poesia e teatro pelos bares de Belém. Sempre com o coração batendo na terra natal Stéfano Paixão resolve voltar a Baião e realizar com grupo de jovens da cidade um grande espetáculo de rua que tratava da memória popular .
SERVIÇO:
Documentário “Velhos Baionaras, Tesouros Vivos”. Exibição hoje, às 19h, no Instituto de Artes do Pará (Praça Justo Chermont, 296, Nazaré - ao lado da Basílica). Entrada Franca. Informações: 8292-8567
(Diário do Pará)
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