É necessária certa dose de insistência para arrancar detalhes de Caco Souza. O diretor paulista, autor do elogiado ‘400 Contra 1: Uma História do Crime Organizado’, sobre as origens do Comando Vermelho, tenta ser econômico nos detalhes quando fala sobre o segundo longa de ficção, ‘Isso é Calypso’, que levará às telas a trajetória de Joelma e Chimbinha. “Não quero estragar a surpresa”, desconversa, entre risos.
Já se vão três anos desde que o cineasta decidiu contar esta história. A vontade veio durante um show da dupla em Sergipe, quando ele viu o casal colocar em uma espécie de transe uma plateia de quase 40 mil pessoas. “Foi só em 2009 que ‘encontrei’ a história da banda Calypso. Nunca tinha assistido a nenhum show deles e fiquei impressionado. Estávamos em Aracaju e a sensação é de que os fãs eram da família, tamanha a proximidade entre artistas e público”, lembra. “Joelma e Chimbinha quebraram o paradigma da música brasileira, lá atrás, há 13 anos. A história da banda e desses dois seres humanos é muito fascinante, pela possibilidade de superação. Me encantou e vai encantar as pessoas”.
A relação entre o casal de músicos e o cineasta vem rendendo frutos que extrapolam a produção do filme, como os videoclipes de ‘Me beije agora’ e ‘Perdiste el trono’ – faixa que integra um disco em espanhol com lançamento previsto para 2013 -, que Caco dirigiu no início de dezembro. “Eu estava louco para fazer um clipe da banda e ‘me ofereci’ para eles”, brinca. Os atores Brendha Haddad (na TV em ‘Salve Jorge’) e Rafael Sola participam dos vídeos, que herdaram também toda a equipe de câmera que fará ‘Isso é Calypso’, sob a batuta de Rodolfo Sanchez, diretor de fotografia argentino radicado em São Paulo.
Na última viagem ao Pará, em novembro, a produção de ‘Isso é Calypso’ definiu as locações: a maior parte do filme será rodada em Belém e arredores. A infância de Joelma e Chimbinha, tal como na vida real, terá como cenário os municípios de Almeirim e Oeiras do Pará, respectivamente. Também haverá locações em Bragança. As filmagens iniciam em junho e se estenderão a Pernambuco e Rio de Janeiro. A direção musical ficará a cargo do próprio Chimbinha.
O filme, orçado em R$ 7,5 milhões, tem Deborah Secco no papel de Joelma - mas isso todo mundo já sabe. O que Caco antecipa, com exclusividade ao VOCÊ, é que Daniela Escobar e Paulo Thifenthaler – aquele mesmo, do site ‘Larica Total’ – também estão confirmados no elenco. Ele interpretará um empresário picareta. Ela, a mãe da cantora. “Daniela é uma ‘senhora’ atriz. Provou isso no ‘400’, quando mudou completamente os tipos que fazia para encarar uma mulher de presidiário e surpreendeu a todos pela entrega e pelo resultado. Já o Paulo tem um sarcasmo, um biotipo fantástico para um empresário salafrário”, diverte-se. Confira a seguir o bate-papo com o diretor, que também prepara-se para mostrar ao Brasil a trajetória de Gabriela Leite, ex-prostituta fundadora da grife Daspu, no filme ‘Filha, Mãe, Avó e Puta’.
“Quero que o paraense se identifique, veja verdade quando estiver diante da tela”.
>> Leia a entrevista completa no Diário do Pará
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