Tudo que o diretor Rich Moore não queria em seu primeiro filme para a Disney era uma história politicamente correta, que não pudesse abusar das piadas mais ácidas que fizeram de Os Simpsons, Futurama e O Crítico sucessos arrebatadores que ele dirigiu na TV. “Fazer animações é o emprego dos sonhos. Adoro o que faço. E quando John Lasseter (produtor executivo e um dos nomes fortes da Disney/Pixar) me convidou para dirigir Detona Ralph, queria que eu criasse uma história sobre videogames. E garantiu que eu poderia trabalhar com total liberdade. Este precisaria ser um filme que não menosprezasse a inteligência dos espectadores”, comentou Moore em entrevista por telefone, de Los Angeles.
Propósito definido e carta branca em mãos, Moore tinha um pequeno desafio à frente: como evitar o bom-mocismo se seu protagonista, o grandalhão Ralph, sonha em deixar de ser o vilão do jogo de fliperama Conserta Félix Jr. e se tornar herói? Na empreitada, ele conhece a menina problema Vanellope von Schweetz. Garotinha encrenqueira, ela é uma bug que não pode, por regra, participar da corrida. Assim como Ralph, só quer ser aceita no jogo. “Ela quer correr.Ele quer a medalha, o prêmio do vencedor. Eles têm de trabalhar em equipe. Detestam-se no começo, mas percebem que, no fundo, são parecidos, e acabam funcionando como irmão mais velho e irmã mais nova”, diz Moore.
dualidade
“É nessa hora que o filme se torna real. É honesto com o público por trazer temas que todos encaramos. Sobre o que é a vida? Para que fomos feitos? Ralph é um cara mau, desastrado, e acaba causando alguns acidentes, mas é um ótimo cara mau. E talvez seja a hora de aceitar essa dualidade em sua vida”, reflete o diretor, que, além de não ser politicamente correto, fez questão de realizar um filme com o qual os adultos pudessem se divertir. “Não foi tarefa fácil. Mas os grandes têm humor para rir de situações mais infantis também. E os pequenos têm sensibilidade para entender piadas mais ácidas. Esta história tem um coração, tem situações que poderiam ser reais, não fosse o fato de se passarem em um mundo em que até os montes nevados são de açúcar”, brinca Moore.
Considerando que Conserta Félix Jr. é um jogo dos anos 90, com o típico visual 2D da época, não foi difícil criar situações que fazem com que qualquer jovem adulto acesse suas mais tenras memórias da era de Tetris, Pac Man e River Raid. Esta é a geração que cresceu com o Atari, que sonhava em ganhar um Mega Drive e que pode considerar o Nintendo Wii e seu visual hiper-realista um tanto quanto “moderno demais” - e que hoje leva seus filhos, proprietários do XBox e do PSP, ao cinema.
“Quando foi que os jogos ficaram tão violentos e assustadores?”, pergunta Ralph ao fugir de seu universo pixelado e cair no hiper-realista Missão de Herói. Qualquer semelhança com o ultraviolento Resident Evil não é mera coincidência. Sãos os choques de realidade, e de gerações de jogadores, que rendem as melhores sacadas de Detona Ralph. Talvez seja programa para fãs de games, mas até os mais leigos podem dar boas risadas.
(AE)
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