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CINEMA

Conto de fadas sombrio: Mama estreia nos cinemas

Duas crianças pequenas seriam capazes de sobreviver em uma cabana no meio da mata sozinhas, durante cinco anos? É com essa pergunta que o filme de terror “Mama’’, que estreou ontem, atrai o público ao contar a história das irmãs Victoria (Megan Charpentie

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Duas crianças pequenas seriam capazes de sobreviver em uma cabana no meio da mata sozinhas, durante cinco anos? É com essa pergunta que o filme de terror “Mama’’, que estreou ontem, atrai o público ao contar a história das irmãs Victoria (Megan Charpentier) e Lilly (Isabelle Nélisse). Após ficarem órfãs, as duas se veem sozinhas em uma floresta. A mais velha, Victoria, tem três anos, e Lilly apenas um. Após cerca de cinco anos desaparecidas, são encontradas vivas em uma cabana, graças ao esforço do tio paterno Lucas (Nikolaj Coster-Waldau), que não desistiu de procurá-las.

Depois de um período de observação, as irmãs são entregues aos cuidados dele e de sua namorada, Annabel (Jessica Chastain). Assim que chegam à nova casa, situações estranhas começam a acontecer. Além de estarem acostumadas com o isolamento da floresta e de terem dificuldades de relacionamento, as duas vivem conversando com um ser imaginário que elas chamam de “mama’’. Apesar de alguns momentos de calmaria, o longa garante muitos sustos, gerados por aparições repentinas e seres estranhos.

O filme é dirigido pelo estreante Andrés Muschietti e chamou a atenção do cineasta Guillermo del Toro, que foi indicado ao Oscar por “O Labirinto do Fauno’’ (2006) e decidiu assinar a produção.

Talvez seja mais fácil se lembrar de filmes em que a maternidade é motivo de pânico, e até de horror, do que de alegrias. A lista começa pelo clássico “O bebê de Rosemary”, passando por “Anticristo” e desaguando em “Precisamos falar sobre Kevin”.

“Mama” não se equipara a nenhum desses, mas o longa, dirigido pelo espanhol Andrés Muschietti e produzido por Guillermo del Toro também se vale de maneira meio oblíqua do velho ditado: “Ser mãe é padecer no paraíso”. No caso, ser tia, assumindo o papel de uma mãe que morreu.

A Universal Pictures já planeja até uma continuação do filme. “Acreditamos no potencial para uma franquia de Mama. E queremos uma sequência. Porém, as negociações estão em estágio inicial”, revelou David Kosse, presidente do estúdio, ao Screen Daily.
Era uma vez... uma história de terror
Jessica Chastain é Annabel, membro de uma banda de rock, que leva uma vida desregrada com seu namorado, Lucas. Na primeira vez em que a vemos, está no banheiro agradecendo a Deus pelo teste de gravidez ter dado negativo.

A comemoração pode durar por cinco anos, até que duas sobrinhas de seu marido, que estavam desaparecidas, são encontradas e o casal fica com a guarda das meninas.

A história das meninas é uma espécie de prólogo do filme que começa com “Era uma vez...”, o que sugere um conto de fadas contemporâneo e sombrio. O pai de Victoria e Lilly matou a mãe delas e mais um sócio. Na fuga, sequestra as garotas, levando-as para uma cabana no meio da floresta, onde pretende matá-las e se suicidar.

Porém, uma força sombria salva a vida das meninas, e as mantém vivas por cinco anos, alimentando-as apenas com cerejas.
Quando são encontradas, as garotas estão praticamente animalizadas, andam de quatro, são incapazes de se comunicar ou manter qualquer contato social, o que desperta a curiosidade de um médico (Daniel Kash), que ajuda o casal Lucas e Annabel a ganhar a guarda das crianças, também disputada por uma tia materna (Jane Moffat) – uma personagem que não faz muito sentido.

Para o médico, as meninas criaram um personagem – a quem chamam de Mama – que as manteve vivas. Agora estão com dificuldades de abandonar a fantasia.

Acontece que Mama é mais real do que todos pensam. Real, ciumenta e malévola, vingando-se de todos por quem as garotas desenvolvem algum tipo de afeição. E quando Annabel é obrigada a ficar sozinha com as meninas, terá de enfrentar essa força.

“Mama” é baseado num curta – disponível na internet – feito por Muschietti, que acabou chamando a atenção de Del Toro. O curta, de cerca de 2 minutos, se transformou numa das cenas do longa. Mas, obviamente, tudo o que apenas é sugerido lá, se materializa e é didática e desnecessariamente explicado na versão longa.

Apesar de seus sustos baratos e de explicações que só enfraquecem a trama, Jessica Chastain e as duas meninas, Megan Charpentier e Isabelle Nélisse, mantêm a cumplicidade perfeita, no amor e no ódio, na paz e no medo. O trio parece compreender que o maior horror, o maior medo vem daquilo que cremos poder confiar, na aparente banalidade do dia a dia.

(Diário do Pará)

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