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CINEMA

Projeto exibe clássicos do cinema mudo com música

Paulo José Campos de Melo enfrenta um dilema a cada apresentação do projeto Cinema e Música. O pianista explica que a iniciativa - que apresenta clássicos do cinema mudo com trilha sonora elaborada ao vivo - exige um esforço redobrado para que seu trabalh

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Paulo José Campos de Melo enfrenta um dilema a cada apresentação do projeto Cinema e Música. O pianista explica que a iniciativa - que apresenta clássicos do cinema mudo com trilha sonora elaborada ao vivo - exige um esforço redobrado para que seu trabalho não seja percebido.

“Se as pessoas ficarem muito ligadas no que estou tocando, acabo interferindo na atração principal, que é o filme. Todo mundo tem que esquecer que estou ali depois de três ou quatro minutos de sessão e só lembrar depois que acendem as luzes”, conta o paraense de 58 anos, que também ocupa o cargo de superintendente do Conservatório Carlos Gomes.

Na programação de hoje, será exibido “O Circo”, de Charles Chaplin (1889-1977), produção de 1928, que traz o personagem Carlitos, interpretado pelo próprio diretor britânico. O enredo gira em torno do vagabundo de chapéu coco e bigodinho invadindo o picadeiro, na tentativa de fugir da polícia. A história se desdobra no seu caso amoroso com a acrobata, cujo pai, dono do circo, não aprova o relacionamento.

“Para compor, primeiro escolho que personagens vão ganhar um tema. No caso de ‘O Circo’, me limitei a três temas principais, escritos previamente: Carlitos, a acrobata e o dono do circo. Aí misturo com trechos da trilha original composta para o filme e de outras composições daquela época. Mas existe muita improvisação. Vou criando de acordo com a ação do filme. Nunca faço uma sessão parecida com a outra”, revela.

O músico conta que sua técnica, apesar de peculiar, não era uma exceção no início do século passado. Orquestras costumavam se apresentar durante as exibições, prática comum na cidade até o advento das películas faladas na década de 30. Os filmes já chegavam acompanhados de partituras, elaboradas especialmente para a trilha sonora. Mas vez ou outra era preciso se virar. “Sabe-se que paraenses como Mestre Isoca, Waldemar Henrique, Denilson Fonseca e Adelermo Matos chegaram a compor material original para acompanhar exibições de filmes mudos. Algumas dessas canções tiveram sua estreia, inclusive, dentro do Olympia. A história dessa sala é tão importante para o cinema quanto para a música da cidade”, afirma.

FORMAÇÃO

A ideia do projeto “Cinema e Música” surgiu com a mostra Cinema Mudo, realizada em 2012, ano de comemoração do centenário do Cine Olympia. Fundada em 1912, a sala é considerada a mais antiga em funcionamento ininterrupto no país.

A programação iniciou em março, com a exibição de “A General”, de Buster Keaton. As sessões ocorrem toda segunda terça-feira de cada mês, sempre acompanhadas pelo piano de Paulo José Campos de Melo. Numa parceria entre a Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel) e a Fundação Carlos Gomes, com o apoio Associação de Críticos de Cinema do Pará (ACCPA), a mostra exibirá obras como “Em Busca do Ouro”, de Charles Chaplin, “Metropólis”, de Fritz Lang, e “Fausto”, de F. W. Murnau.

“O projeto é uma abordagem nostálgica e, ao mesmo tempo, moderna de se apresentar uma mostra de cinema. Existe algo de vanguarda, de experimentalismo ao empregar a música ao vivo. Sem contar que é um ótimo artifício para a formação de plateia, apresentando um período pouco conhecido do cinema de uma forma inusitada”, define Marco Antônio Moreira, diretor de programação do Olympia.

Ele lembra que Chaplin era um entusiasta do formato das apresentações ao vivo, ao ponto de se opor aos filmes falados, até ceder à novidade em 1940, com “O Grande Ditador”. “No começo, ele achava que o som integrado ao filme empobrecia, banalizava a experiência de ir ao cinema. Tanto que ele ‘mata’ o personagem Carlitos, por acreditar que não funcionava para o formato. Com o passar do tempo, ele reviu seus conceitos e passou os últimos 20 anos da vida se dedicando a compor trilhas sonoras para integrar a sua filmografia ‘muda’”.

O pianista Paulo José teve uma tarefa árdua quando estudava na Europa: ter que mudar um desses originais compostos pelo diretor britânico. “Durante um concerto na Alemanha, em 1983, fui convidado a fazer “O Garoto”. Só que a cópia masterizada continha alguns cortes, o que deixou o filme mais curto que a trilha sonora. A filha do diretor, Geraldine Chaplin, deu o aval: improvise. Sugestão que eu sigo até hoje”.

PRESTIGIE

O projeto Cinema e Música apresenta “O Circo” (1928), de Charles Chaplin, com acompanhamento ao piano de Paulo José Campos de Melo. A sessão ocorre hoje, às 18h30, no Cine Olympia (av. Presidente Vargas, 918, Campina). Entrada franca. Saiba mais: cinemaolympia.com.br.

(Diário do Pará)

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