Um cineasta que, tocado pela realidade que o cerca, resolveu transpor alguns dos dramas das vítimas de violência doméstica para a tela grande. O paraense André Marçal, em nova empreitada cinematográfica, estrela, roteiriza e dirige “Abra os olhos”, média -metragem que aborda uma situação pela qual muita gente passa, mas prefere fingir que não vê. A história de como um homem comum entra na vida de uma mulher e tenta ajudá-la a se livrar da violência, estreia neste sábado, 25, no Cinema Olympia, às 17h45.
André Marçal resolveu trazer um pouco da experiência do trabalho como assistente social na área de saúde pública para o cinema. “A violência doméstica sempre me intrigou e eu queria mergulhar nesse tema e provocar uma reflexão, utilizando uma história que conectasse as pessoas a esse tema”, conta Marçal,.
André procura incluir ainda em suas produções cenas de luta em coreografias elaboradas. “Pratico artes marciais desde criança e o kung fu há 13 anos. É uma filosofia muito forte na minha vida e no caso de ‘Abra os Olhos’, essa referência serve para personificar os sonhos, uma metáfora, os momentos onde o meu personagem, Dan, extravasa e tenta vencer os desafios”, explica o diretor, aixa preta em kung fu e também responde pela criação das coreografias nas cenas.
COLABORADORES
Para fazer esse filme, ele precisou formar um grupo de trabalho em Belém. Como esteve fora, André Marçal perdeu contato com os profissionais locais e foi achar colaboradores em locais inusitados, como o Pronto Socorro Municipal. “Nos conhecemos lá, em meio ao expediente e quando ele soube que eu era atriz me chamou para atuar no primeiro curta dele. Ele não conhecia ninguém aqui e eu fui chamando gente para nos ajudar no filme”, lembra Nany Figueiredo, a agente de saúde pública, que atua em ‘Abra os olhos’ como a vítima Shirley.
Desde que leu o roteiro no ano passado, Nany buscou pesquisar e se preparar para a personagem observando e recolhendo situações que iam chamando a atenção. “Na semana passada, uma assistente social me relatou a história de uma mulher que suportou a violência tanto tempo que, um dia, ‘explodiu’ e acaba matando o marido que batia nela”, comenta a atriz.
Tempo
Rodado no segundo semestre de 2012, “Abra os Olhos” a principio seria um curta, mas André achou algumas cenas e diálogos tão importantes que resolveu deixá-lo com a duração de 30 minutos, transformando em média-metragem.
(Diário do Pará)
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