Realizado em 2009, na cidade de Buenos Aires, “Tetro” marca o renascimento de um autor: Francis Ford Coppola. Responsável por obras primas como a trilogia “O Poderoso Chefão” e o polêmico “Apocalypse Now”, ele passou por maus bocados após a década de 1970. Com rompantes de megalomania, Coppola viu a sua companhia – American Zoetroppe – naufragar graças a projetos como “O Fundo do Coração”. Apesar do filme sobre encontros e desencontros amorosos ter virado ‘cult’ anos depois, a sua reconstrução de Las Vegas em estúdio e outros preciosismos estéticos custou um prejuízo de cerca de R$ 20 milhões.
Após o fracasso, Coppola se viu dependente dos grandes estúdios e começou a ver o espaço para os seus projetos diminuir enquanto que o seu nome era ligado a filmes encomendados como “Peggy Sue”. Mesmo com a terceira parte da trilogia do Chefão obtendo uma grande bilheteria, o cineasta foi perdendo o foco autoral do seu trabalho – recuperado em poucas ocasiões -, o controle do ‘manche’ narrativo de suas obras, que parece estar sendo retomado a partir desse drama familiar ambientado na capital Argentina.
“Tetro” focaliza a relação entre Angelo (o também cineasta Vicent Gallo), um escritor que decidiu se isolar no país da América do Sul para fugir de seu pai, maestro regente em Nova York; e seu irmão caçula Bennie (Alden Ehrenreich), que é garçom em um cruzeiro e aproveita a parada forçada do navio no porto da capital argentina para encontrá-lo. Só que o reencontro entre os irmãos não é amigável. Na verdade Angelo tornou-se uma pessoa de temperamento difícil que esconde seu passado. Ele passou a se chamar ‘Tetro’ como uma forma de transpor quem era, esquecer sua vida em meio a familia de artistas, da onde emergiu como um brilhante poeta.
BELEZA
Nas ruelas de La Boca, permeadas de perigos e paixões incendiárias como o tango e o futebol, os dois transitam na companhia de Miranda (Maribel Verdú) e relembram experiências passadas. Os grandes atores europeus Klaus Maria Brandauer e Carmen Maura também estão no filme, que é praticamente filmado em preto & branco, com enquadramentos belíssimos.
Quando Bennie descobre antigos textos de Tetro, o clima de filme noir se ascende e o jovem vai buscando desvendar os segredos de uma familia arruinada por rivalidades. Mas eis aqui, uma surpresa digna de um cineasta genial como o é Coppola: Bennie utiliza uma companhia de teatro burlesco para tentar retirar o irmão do isolamento. Ele descobre que Tetro escolheu tirar um ano sabático na Argentina para escrever a obra da sua vida, mas os traumas – em especial os paternos – o fizeram chegar às raias da loucura. E será através da arte que Bennie buscará salvar o irmão.
“Tetro” é o 21º longa-metragem de Copolla e o primeiro filme totalmente escrito, produzido e dirigido por ele desde 1974, depois do engenhoso “A Conversação”.
ASSISTA
‘Tetro’, de Francis Ford Coppola’. Hoje, às 20h30, e amanhã, às 18h. No domingo, o filme também será exibido às 18h. ‘Tetro’ segue em cartaz até o dia 24 deste mês, em exibições alternadas com ‘Anna Karenina’. Ingressos: R$ 8 (com meia-entrada para estudantes). Realização: OS Pará 2000, Secretaria de Estado de Cultura – Secult e Governo do Estado. Confira a programação completa: www.estacaodasdocas.com.br
(Diário do Pará)
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