O guitarrista David Gilmour e o baterista Nick Mason, remanescentes do Pink Floyd, não parecem preocupados com o sucesso comercial do novo álbum -também, não precisam: há 41 anos, "The Dark Side of the Moon" vende 10 mil cópias por semana.A essa altura, fãs do Floyd devem estar discutindo detalhes de cada canção, tentando achar similaridades com outras músicas da banda. Além das sobras de estúdio de "The Division Bell", o novo LP traz pequenos trechos de gravações de Rick Wright, algumas com mais de 40 anos.
O que leva à questão: o que caracteriza uma música do Pink Floyd? Já houve uma banda cujo estilo variou tanto, de acordo com a alternância de poder dentro do grupo?A grosso modo, existiram quatro Pink Floyds: o primeiro durou de 1965 até 1968, quando o motor do grupo era o genial Syd Barrett e a banda criou uma obra-prima da lisergia, "The Piper at the Gates of Dawn". Essa fase terminou quando Barrett entrou em colapso mental pelo uso de LSD.
A segunda fase do Floyd foi a única em que a banda realmente foi uma "banda", com um certo equilíbrio de poder e divisão de composições. Durou de "More" (1969) a "Wish You Were Here" (1975).No fim dos anos 1970, o baixista Roger Waters começou a transformar o Floyd em seu projeto pessoal. Aproveitando uma fase desinteressada de David Gilmour -que, sentindo-se subestimado no grupo, lançou até um disco solo-, Waters comandou três LPs ambiciosos de tons orwellianos: "Animals" (1977), "The Wall" (1979) e "The Final Cut" (1983).Curiosamente, os discos transformaram o grupo no colosso cinza e totalitário que Waters parecia criticar.Em meados dos anos 1980, Waters deixou a banda e processou seus ex-companheiros para evitar que usassem o nome Pink Floyd.
Gilmour e cia. ganharam o processo. Desde então, o Floyd é o projeto pessoal de Gilmour. É a quarta encarnação do Pink Floyd."The Endless River" não será lembrado pelos fãs como um dos grandes momentos da banda. O que não quer dizer que não seja um disco importante. Afinal, é o primeiro em duas décadas e deve ser o último gravado pelo grupo.
O disco, quase todo formado por sobras de estúdio do LP "The Division Bell" (1994), é um tributo a Rick Wright, o tecladista, que morreu em 2008. Tem 18 músicas, sendo que apenas uma -"Louder than Words"- não é instrumental. É um disco lento e bonito, uma coleção de sons "ambient" que parece trilha sonora de filme.
(Folhapress)
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