Duas atrizes dividem o papel principal: Bianca Comparato interpreta Irmã Dulce na juentude e Regina Braga vive a freira mais madura, entre os anos 60 e 80. Ao lado delas, estão no elenco Gracindo Júnior, Glória Pires, Mallu Valle, Irene Ravache, Luiz Carlos Vasconcelos, Zezé Polessa e Renato Prieto.
“Para garantir uniformidade entre todas as fases da personagem, ensaiamos o filme inteiro, durante mais de um mês, antes das filmagens com as duas atrizes ao mesmo tempo. Ou seja: a Bianca participava de ensaios da Regina e vice-versa.
E em muitos destes ensaios, a Sophia Brachmans, que viveu Dulce criança, estava presente também. Isso nos deu segurança que qualquer mudança que houvesse entre elas seria resultado apenas da evolução da personagem, que as duas estariam vivendo, portanto, a mesma pessoa”, explica o diretor.
Nos cinemas do Norte e Nordeste, incluindo os do Pará, o filme estreia hoje, mas só chega às salas das outras regiões no dia 27 de novembro.
O ano escolhido para o lançamento é especial: marca o centenário de Irmã Dulce, e não deixa de ser uma singela homenagem, comparada ao legado de amor e paz que a freira deixou, com uma obra social sem igual no Brasil, com creches, hospitais e centros educacionais.
“Em Salvador a presença dela está em toda parte, todos têm alguma lembrança para contar. Isso é muito forte. O que mais me impressionou foi a gratidão que aparece no olhar dos que a conheceram. Ela é venerada. É santa, a primeira santa do Brasil. Irmã Dulce dos desprotegidos, dos abandonados”, define a atriz Regina Braga.
Fazer um filme de ficção baseado em fatos reais, traço que acompanha o diretor Vicente Amorim, foi o grande desafio das filmagens e, para as atrizes. a preparação envolveu muito mais do que ensaios. Segundo o diretor, elas visitaram as obras sociais da Irmã Dulce, passaram várias noites num convento em Salvador, andaram pelas ruas vestidas de freiras, leram, conversaram com amigos e parentes da própria Dulce, assistiram a vídeos, fizeram uma imersão profunda na personagem para torná-la viva.
“Quase todos os filmes que fiz são inspirados em personagens e situações verdadeiras. Mas todos são, e é bom que seja dito, filmes de ficção baseados em histórias reais - Irmã Dulce inclusive. Há uma diferença muito importante, no entanto: nenhum dos personagens que retratei nos meus outros filmes é objeto de culto, de devoção, como é Irmã Dulce, e isto faz com que a transposição da sua vida para o cinema seja uma tarefa muito mais delicada. Foi um desafio e tanto reconstruir a trajetória dela e, um pouco como quando um muralista retrata a vida de alguém igualmente célebre, o que vamos oferecer ao público é uma das possíveis formas de ver quem ela foi: é uma pintura, não uma fotografia”, finaliza o diretor.
(Diário do Pará)
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