O cineasta francês Alain Resnais é mais conhecido por trabalhos bastante densos, como “Hiroshima, Meu Amor”, “O Ano Passado em Marienbad”. Mas em seus últimos anos, tinha começado a fazer filmes mais leves e despojados, embora longe de ser considerados superficiais. “Amar, Beber e Cantar”, último filme do diretor, lançado um mês antes da morte dele, em março deste ano, entra nessa leva, na tentativa do diretor de fazer um realismo que rompe com a realidade, numa busca da fantasia do cotidiano em que ele se permite brincar principalmente com a estrutura formal do filme. Esse é o longa em cartaz no Cine Estação, do Teatro Maria Sylvia Nunes, até dia 28. “Amar, Beber e Cantar” é uma adaptação da peça do inglês Alan Ayckbourn, cuja obra já tinha servido de inspiração para Resnais em outros dois filmes (“Smoking/No Smoking” e “Medos Privados em Lugares Públicos”). O filme e o diretor receberam o prêmio da crítica internacional no Festival de Berlim deste ano, além do prêmio especial Alfred Bauer, destinado a filmes que “abrem novas perspectivas para a arte cinematográfica”. A história se passa em uma peça dentro do filme, que está sendo ensaiada por um grupo de amigos. A estrutura teatral mantida na tela é uma das subversões do diretor neste longa, que também traz o personagem George Riley, um homem à beira da morte, com no máximo seis meses de vida. A trama começa quando o médico Colin comenta a situação de George com sua mulher, Kathryn, enquanto eles se preparam para ir ao ensaio da peça. A notícia se espalha e outros amigos se desesperam com a morte iminente de George, e passam a elencar suas lembranças sobre ele, assim como fazem planos para um futuro com ou sem a presença dele. (Diário do Pará) |
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