Não basta uma Julianne Moore. São preciso duas. Quantas mais forem as Juliannes, mais ela nos surpreende com sua versatilidade, finalmente reconhecida com o Oscar de Melhor Atriz este ano.
Mas ela não precisa de troféus expostos na parede. Julianne sempre foi unanimidade, mas nunca teve o reconhecimento que merecia em Hollywood e, talvez por isso, tenha construído uma carreira tão sólida e totalmente a parte de todos os holofotes que os grandes astros têm por lá. Digamos que ela veio correndo por fora.
Em Belém a partir de hoje estão em cartaz dois filmes dela. Um, o que lhe rendeu o título máximo que uma atriz pode receber durante a carreira, é “Para Sempre Alice”, dentro de um estilo que Julianne sabe fazer como ninguém: uma mulher cheia de angústias, que alterna força e fraqueza na busca da solução de um problema que não consegue resolver (quem não a viu em “Ensaio Sobre a Cegueira”, do brasileiro Fernando Meirelles, de 2008, como a única que enxerga em meio a pessoas atingidas por uma epidemia de cegueira em uma cidade e, que, por isso, assume a missão de ir em busca da humanidade perdida, não sabe o que está perdendo).
Em “Para Sempre Alice” não é o risco da cegueira que lhe angustia. É, sim, um Alzheimer que a acomete no auge da maturidade, longe do perfil-padrão que se espera para essa doença, que costuma atacar idosos.
Com uma filha adolescente, outra nos primeiros passos da vida adulta, um casamento em seu ápice, ela se vê de repente mergulhada dentro do universo dos sintomas típicos da doença – lapsos de memória, fragilidade emocional, etc. É como se estivesse perdendo a conexão consigo própria.
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(Diário do Pará)
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